O delegado Luís Henrique Lima Pereira, de Conchal (SP), indiciou por homicídio culposo o médico responsável pelo atendimento de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, que morreu após ser picado por um escorpião. Segundo a investigação da Polícia Civil, houve negligência médica e descumprimento do protocolo indicado para o caso.
O relatório final do inquérito foi divulgado nesta segunda-feira (10). De acordo com o delegado, por ter menos de 10 anos e ter sofrido picada de escorpião, Bernardo deveria ter sido transferido imediatamente para um hospital de referência com soro antiescorpiônico. Na região, a unidade indicada era a Santa Casa de Araras.
Segundo a investigação, deveria ter sido adotado o procedimento de “vaga zero”, com acionamento do Samu para a transferência imediata. O médico, porém, teria acionado apenas a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross).
“O médico adotou protocolos que acabou por burocratizar a transferência da criança e o quadro se tornou irreversível”, afirmou o delegado.
A Polícia Civil informou ainda que um parecer elaborado por médicos legistas do Instituto Médico Legal (IML) apontou erro médico pela não observância do protocolo recomendado para crianças vítimas de picadas de escorpião.
O delegado também pediu à Justiça uma medida cautelar para impedir que o médico trabalhe como plantonista ou em serviços de urgência e emergência. O pedido ainda será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça.
O que diz a defesa
O advogado Diego Emanuel da Costa, que representa o médico, afirmou que o indiciamento é uma posição da autoridade policial e que o caso ainda será analisado pelo Ministério Público e pela Justiça. Segundo a defesa, o médico está tranquilo e tem “plena certeza de sua inocência”.
Relembre o caso
Bernardo foi picado por um escorpião enquanto brincava em casa, na noite de 31 de março. Segundo a família, a criança apresentou piora durante o atendimento em Conchal, com episódios de vômito e salivação excessiva.
De acordo com o pai, o menino recebeu o soro antiescorpiônico mais de quatro horas depois do acidente. Bernardo foi transferido pelo Samu para a Santa Casa de Araras, onde recebeu atendimento em UTI, mas não resistiu e morreu na manhã de 1º de abril.



