A quarta morte por febre maculosa registrada em Araras em 2026 chama a atenção das autoridades de saúde por uma particularidade: a vítima, uma mulher de 49 anos, não tinha histórico de frequentar áreas de mata ou outros locais conhecidos pela presença de carrapatos.
A informação foi confirmada pelo diretor clínico da Secretaria Municipal da Saúde Rodrigo Klein, que explicou que a equipe conversou com familiares da paciente durante a investigação sobre as possíveis formas de exposição. As dclarações foram dadas em entrevista na programação da Rádio Clube.
Segundo ele, a residência da mulher fica a aproximadamente 200 metros de uma área de mata onde há presença de capivaras. A avaliação inicial considera, entre as possibilidades, que carrapatos possam ter chegado ao ambiente residencial ou às proximidades por meio de animais domésticos que circulam pela região.
“O que chama atenção nesse caso é que essa paciente, a gente entrevistou a família, a filha, ela não tem história de ter frequentado essa área e nem de ter frequentado nenhum outro lugar que possa ter carrapato ou capivara”, explicou o diretor clínico.
Ainda de acordo com o médico, cães que circulam nas proximidades da área de mata podem ter contato com o ambiente frequentado pelas capivaras e, eventualmente, transportar carrapatos para outras áreas.
“Pode ser que o cachorro doméstico, às vezes, traz para dentro do bairro. Às vezes a pessoa nem mora na região lá perto, na beira da mata, mas às vezes o animal doméstico vai e traz e pode deixar, caiu na rua lá na frente de casa, pega na pessoa”, afirmou.
A hipótese, no entanto, ainda não está confirmada. As equipes de Vigilância Epidemiológica e Zoonoses continuam investigando os possíveis locais e circunstâncias de exposição da vítima.
Quarto óbito em 2026
A Secretaria Municipal da Saúde confirmou a morte da mulher na quinta-feira (24). Ela havia recebido atendimento no Hospital Pró-Saúde, posteriormente passou pela Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e foi encaminhada para a Santa Casa de Misericórdia.
Segundo a enfermeira do Setor de Vigilância em Saúde, Tavane Anselmo Malaguese, a paciente chegou ao atendimento com sintomas já avançados e morreu no dia 13 de setembro.
Com a confirmação, Araras soma quatro mortes por febre maculosa em 2026. Os outros óbitos foram de duas crianças, de 8 e 9 anos, registrados em janeiro, e de uma mulher de 52 anos, em agosto.
Carrapato pode chegar a ambientes próximos das residências
A febre maculosa é uma doença causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos infectados. A transmissão pode ocorrer em diferentes fases do ciclo de vida do carrapato — larva, ninfa ou adulto.
Embora áreas de mata, locais úmidos, trilhas e ambientes com vegetação e matéria orgânica sejam considerados locais de maior atenção, a investigação do quarto caso reforça a necessidade de cuidado também em regiões próximas a esses ambientes.
A possibilidade levantada pela Secretaria da Saúde é que animais domésticos que circulam em áreas onde existem capivaras e carrapatos possam contribuir para a movimentação desses parasitas para outros pontos. Essa hipótese ainda está sendo investigada e não significa que tenha sido essa a forma de transmissão no caso da paciente.
Sintomas exigem atenção

Os sintomas podem surgir entre dois e 14 dias após a infecção. A orientação das autoridades de saúde é procurar atendimento médico rapidamente diante de sintomas compatíveis e informar ao profissional caso tenha ocorrido contato com áreas onde possa haver carrapatos.
Mesmo sem histórico de visita a uma área de mata, a investigação do quarto óbito em Araras mostra que é importante considerar também a possibilidade de exposição em ambientes próximos às residências, especialmente em regiões próximas a áreas com vegetação e presença de animais hospedeiros.



