Cerca de 2 milhões de brasileiros com 14 anos ou mais trabalharam por meio de plataformas digitais em 2025, utilizando esse tipo de atividade como principal ou segunda ocupação. O número representa 1,9% dos 102,4 milhões de pessoas ocupadas no país, segundo levantamento divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os dados fazem parte de um novo módulo da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), elaborado pelo IBGE em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e o Ministério Público do Trabalho.
A pesquisa buscou identificar quem são esses trabalhadores, quais são suas condições de trabalho e até que ponto as plataformas interferem em aspectos como remuneração, cumprimento de tarefas e definição da jornada.
Flexibilidade é um dos principais atrativos
Entre os trabalhadores entrevistados, 26,8% apontaram a flexibilidade como principal motivo para recorrer às plataformas digitais. Já 24,6% disseram que aderiram a esse modelo porque não conseguiram encontrar outro emprego.
Apesar da possibilidade de organizar os próprios horários ser um dos fatores mais citados, o levantamento mostra que esses trabalhadores também enfrentam jornadas mais extensas.

Mais horas trabalhadas, praticamente a mesma renda
Quem trabalhava por meio de plataformas digitais registrou uma jornada semanal média 5,4 horas maior do que os demais trabalhadores do setor privado.
Mesmo trabalhando mais, porém, a diferença na remuneração foi praticamente inexistente.
A renda média mensal dos trabalhadores que utilizavam plataformas ficou em R$ 3.147, enquanto os demais ocupados do setor privado receberam, em média, R$ 3.148.
Homens são maioria entre os trabalhadores de plataformas
O levantamento também revelou uma forte predominância masculina nesse tipo de atividade.
Entre aqueles que tinham o trabalho em plataformas digitais como principal fonte de renda, 84,4% eram homens, enquanto as mulheres representavam 15,6%.
Além dos serviços realizados por meio de aplicativos, o estudo identificou a utilização de plataformas de comércio eletrônico por trabalhadores autônomos e empregadores.
Em 2025, aproximadamente 210 mil pessoas que trabalhavam por conta própria ou eram empregadoras no comércio utilizaram plataformas digitais para encontrar clientes e vender produtos.
Os resultados ajudam a dimensionar o avanço da chamada economia de plataformas no mercado de trabalho brasileiro e mostram o impacto desse modelo na renda, na jornada e nas condições de trabalho de milhões de pessoas.



