29/10/2026
Região

MPT investiga academia por suspeita de ameaças de demissão motivadas por divergências políticas

Uma academia de Piracicaba está sendo investigada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) após denúncias de que estagiários teriam sido ameaçados de demissão por divergências políticas. O caso foi registrado durante o período do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.

Além dessa ocorrência, o órgão apura outras duas denúncias na cidade: uma envolvendo uma empresa de logística, que teria informado que descontaria horas do banco de horas de funcionários que se ausentaram para votar, e outra relacionada a um estacionamento, onde trabalhadores teriam sido constrangidos por comentários depreciativos sobre suas posições políticas.

Os nomes dos estabelecimentos não foram divulgados, já que as investigações estão em fase inicial.

Denúncias de assédio eleitoral aumentam após votação

O número de relatos de possíveis irregularidades cresceu após o segundo turno das eleições, realizado no domingo (25).

De acordo com dados do MPT da 15ª Região, responsável por 599 municípios do interior paulista, foram registradas 80 denúncias entre o fim da votação e a manhã de quarta-feira (28). Até as 16h do mesmo dia, o total de ocorrências relacionadas ao período pós-eleitoral havia chegado a 142.

O volume chamou a atenção das autoridades, especialmente diante da circulação de publicações nas redes sociais que incentivam empresários a demitir ou deixar de contratar profissionais por causa de suas preferências políticas.

Pressionar funcionários por causa do voto pode ser ilegal

O MPT ressalta que a liberdade de escolha política deve ser respeitada nas relações de trabalho. Ameaças de demissão, retaliações, recusa de contratação e outras medidas discriminatórias motivadas pela posição política de um trabalhador podem caracterizar assédio eleitoral.

Segundo Marina Tramonte, procuradora do Trabalho e coordenadora regional da área responsável pelo combate à discriminação no ambiente profissional, o poder do empregador está limitado à atividade econômica e não pode ser utilizado para interferir nas escolhas eleitorais dos funcionários.

A investigação busca esclarecer as circunstâncias de cada denúncia. O registro de uma reclamação, por si só, não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas.

Como denunciar

Trabalhadores que tenham sofrido ou presenciado ameaças, constrangimentos ou perseguições motivadas por questões políticas podem procurar o Ministério Público do Trabalho.

As denúncias podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo portal oficial do órgão: www.mpt.mp.br.

Para auxiliar na apuração, a recomendação é preservar provas, como capturas de tela de mensagens, publicações em redes sociais, áudios, gravações e informações sobre possíveis testemunhas.

O objetivo da atuação é garantir que as decisões relacionadas ao emprego sejam tomadas com base em critérios profissionais, sem discriminação por convicções políticas ou pela escolha manifestada nas urnas.

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