12/08/2026
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Médico indiciado por morte de menino de 3 anos após picada de escorpião diz que desconhecia protocolo de atendimento

O médico Augusto Fortunato de Godoi, indiciado por homicídio culposo pela morte de Bernardo de Lima Mendes, de 3 anos, afirmou em depoimento à Polícia Civil que desconhecia a existência de um protocolo específico para o atendimento de crianças com menos de 10 anos vítimas de picadas de escorpião, conforme informou o Portal G1. O caso aconteceu em março deste ano, em Conchal (SP).

O depoimento foi prestado de forma on-line no dia 4 de agosto. Segundo a investigação, o médico, que possui especialização em psiquiatria, trabalhava como plantonista no Hospital e Maternidade Madre Vannini quando Bernardo foi levado à unidade.

Questionado pelo delegado Luís Henrique Lima Pereira se conhecia o protocolo para acidentes com escorpiões, o médico respondeu que não.

“Trabalho em cinco hospitais, esse protocolo nunca foi passado em nenhum hospital”, declarou.

Augusto também afirmou que inicialmente considerou que o quadro da criança não era grave, pois Bernardo apresentava reação local e dor. Segundo ele, a situação passou a ser considerada grave após o menino apresentar vômito durante o período de observação.

Polícia aponta demora na transferência

De acordo com o inquérito, Bernardo deu entrada no hospital às 20h08, mas o contato formal com o sistema Cross para transferência ocorreu somente às 21h59.

A investigação aponta que, por ter menos de 10 anos, Bernardo deveria ter sido estabilizado e encaminhado imediatamente para uma unidade de referência com soro antiescorpiônico. Na região, a referência indicada era a Santa Casa de Araras.

O médico afirmou que não fez contato direto com a unidade de Araras e que solicitou a transferência por meio da Cross. Questionado sobre a utilização de “vaga zero”, disse que não fez esse pedido.

Segundo a Polícia Civil, a demora fez com que a criança perdesse a chamada “janela terapêutica”, período considerado fundamental para a administração do antiveneno.

Bernardo acabou sendo transferido para Araras e recebeu o soro mais de quatro horas após a picada. O quadro clínico, porém, já havia se agravado. O menino sofreu parada cardiorrespiratória e choque cardiogênico e morreu no dia seguinte.

O delegado destacou ainda que o depoimento ocorreu cerca de quatro meses depois da morte e demonstrou preocupação com o fato de o médico afirmar que ainda desconhecia o protocolo.

“Causa perplexidade esta afirmação”, registrou o delegado no relatório, ao apontar que o profissional continuava considerando adequada a manutenção em observação de crianças vítimas de picadas de escorpião.

Médico foi indiciado

Augusto foi indiciado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar. Segundo o delegado, laudos e protocolos analisados durante a investigação apontaram negligência no atendimento.

A Polícia Civil também pediu à Justiça o afastamento cautelar do médico de plantões e serviços de urgência e emergência, como hospitais e UPAs. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar o caso e decidir sobre eventual denúncia e o pedido de afastamento.

Defesa diz ter certeza da inocência

A defesa do médico afirmou que recebeu com surpresa a informação sobre o encerramento do inquérito e declarou que Augusto está tranquilo e tem “plena certeza de sua inocência”.

Já o Hospital e Maternidade Madre Vannini informou que o médico acionou o serviço de assistência toxicológica quatro vezes durante o atendimento e solicitou a transferência após o agravamento do quadro. A instituição também afirmou que não possui autorização para manter estoque de soro antiescorpiônico.

O hospital contesta as conclusões da investigação e afirma que uma sindicância interna concluiu que o tempo de atendimento foi adequado e que os protocolos foram seguidos.

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