13/08/2026
Saúde

Doação de sangue terá novas regras e prazos menores para tatuagens e procedimentos estéticos

A doação de sangue no Brasil passará por mudanças a partir de outubro. Entre as principais novidades está a redução do período de espera para pessoas que fizeram tatuagem, maquiagem definitiva ou determinados procedimentos estéticos.

Pelas novas regras, quem realizar esses procedimentos poderá doar sangue sete dias depois, desde que o estabelecimento tenha alvará sanitário regularizado. Quando não for possível comprovar as condições sanitárias do local, o intervalo exigido será de quatro meses.

A alteração foi apresentada nesta quarta-feira (12) pelo secretário de Atenção Especializada à Saúde, Mozart Sales. Segundo ele, a redução do prazo considera medidas de segurança adotadas pelos estabelecimentos, como utilização de agulhas descartáveis, luvas e tintas que não sejam reutilizadas.

No caso de piercings em áreas de mucosa, como nariz, boca e região genital, permanece a exigência de quatro meses após a retirada.

Outros prazos também serão reduzidos

A nova regulamentação também modifica o período de impedimento para pessoas que passaram por endoscopia ou fizeram uso de anabolizantes sem prescrição médica. Nesses casos, o prazo cai de seis para quatro meses.

As mudanças foram determinadas por uma portaria do Ministério da Saúde publicada em 3 de julho e passam a valer 90 dias após a publicação.

Idade deixa de ser limite máximo

Outra alteração importante é o fim da idade máxima para doadores regulares. Pessoas com 70 anos ou mais poderão continuar doando, desde que estejam saudáveis e atendam aos demais requisitos.

A idade mínima permanece em 16 anos, mas adolescentes precisam apresentar autorização dos pais ou responsáveis. A partir dos 18 anos, a doação pode ser feita de forma independente.

Também é necessário ter pelo menos 50 quilos e estar em boas condições de saúde no momento da triagem.

Mais segurança nas transfusões

As mudanças também envolvem os procedimentos realizados após a coleta. O Brasil passará a adotar de forma obrigatória a testagem para malária em 100% das amostras utilizadas na triagem de sangue.

O exame será realizado por meio do teste Nat Plus, desenvolvido pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz, que já é empregado na identificação de HIV e das hepatites B e C e passará também a detectar o parasita responsável pela malária.

Outra novidade será a adoção de um padrão internacional de identificação das bolsas e amostras. A medida permitirá acompanhar o sangue em diferentes etapas, desde a coleta até a transfusão ou o encaminhamento do plasma para a fabricação de medicamentos.

Plaquetas poderão ser utilizadas por mais tempo

O prazo de validade dos concentrados de plaquetas também será ampliado. O período, que atualmente é de cinco dias, poderá chegar a sete dias.

A mudança deve aumentar a disponibilidade desse componente para pacientes que necessitam de transfusões frequentes, incluindo pessoas em tratamento contra o câncer e pacientes com doenças hematológicas.

Quem pretende doar sangue deve procurar o hemocentro mais próximo para verificar os horários de atendimento. Antes da coleta, o voluntário passa por uma triagem para avaliar as condições de saúde e confirmar se está apto para a doação.

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