25/06/2026
Polícia Região

Briga de casal leva polícia a identificar indícios de negligência contra criança autista

Uma ocorrência de violência doméstica terminou com a prisão de um casal e o acolhimento institucional de uma criança de quatro anos, na noite de quarta-feira (24), em Americana. O menino, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA), foi encontrado pela Polícia Militar em condições que levantaram suspeitas de maus-tratos e abandono de cuidados básicos.

Os policiais foram chamados para atender uma denúncia de briga entre companheiros em uma residência localizada no bairro Vila Mariana. Ao chegarem ao imóvel, encontraram o casal envolvido em um conflito físico.

Segundo informações registradas pela polícia, a mulher, de 25 anos, relatou ter sido atacada pelo companheiro, afirmando que sofreu agressões com socos e tentativa de estrangulamento. Ela apresentava ferimentos aparentes em uma das mãos e no joelho. O homem, por sua vez, também tinha lesões e alegou que apenas reagiu às agressões da companheira.

Durante o atendimento, os agentes perceberam que o filho do casal estava presente no imóvel e teria testemunhado a discussão. A situação da criança chamou a atenção dos policiais, que identificaram roupas sujas e sinais considerados compatíveis com falta de cuidados adequados.

Ainda de acordo com o boletim de ocorrência, os próprios responsáveis admitiram ter ingerido bebidas alcoólicas antes da confusão. A mulher também declarou ter consumido maconha. Os policiais registraram que ambos apresentavam características de embriaguez, incluindo comportamento alterado, odor de álcool e olhos avermelhados.

Diante da situação, o Conselho Tutelar foi acionado e decidiu encaminhar o menino para um abrigo. Em depoimento à Polícia Civil, os pais negaram qualquer negligência e afirmaram enfrentar dificuldades financeiras e sociais.

A mãe justificou que o filho estava com as roupas sujas após brincar no quintal da residência e explicou que a criança está em fase de transição para deixar o uso de fraldas. O pai declarou que se esforça para atender às necessidades do menino dentro de suas condições.

O caso foi registrado no 3º Distrito Policial de Americana como lesão corporal e maus-tratos contra criança. Após passarem por audiência de custódia, os dois obtiveram liberdade provisória. Conforme o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), uma das medidas impostas pela Justiça determina o comparecimento do casal ao Centro de Atenção Psicossocial (Caps).

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