O envolvimento de integrantes do governo de Donald Trump na viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (29). O assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, confirmou ao portal Metrópoles que foi responsável por providenciar o avião particular utilizado pelo senador brasileiro e seus familiares.
A confirmação reforça as informações divulgadas inicialmente pelo jornal norte-americano The New York Times, que apontou a participação de pessoas ligadas ao governo dos Estados Unidos na organização do deslocamento.
Flávio, que havia sido derrotado na eleição presidencial brasileira, chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas. A entrada da família em território americano foi autorizada pelo presidente Donald Trump, por meio de uma modalidade migratória temporária chamada parole.
Esse mecanismo permite a permanência provisória de estrangeiros nos Estados Unidos em situações consideradas de interesse público ou por razões humanitárias.
Aeronave saiu da Argentina
O avião utilizado na viagem é um Gulfstream G400, pertencente à empresa argentina Baires Fly. A aeronave, identificada pela matrícula LV-JQW, tem capacidade para transportar até 13 passageiros.
O trajeto informado pelas publicações começou na Argentina, de onde a família embarcou com destino a Guayaquil, no Equador. Posteriormente, o grupo seguiu para Miami, onde desembarcou na manhã de quarta-feira.
Segundo informações divulgadas, a organização da viagem começou na segunda-feira (26), justamente no período em que autoridades brasileiras solicitaram a entrega dos passaportes do senador.

Passaportes e investigação no Brasil
A Polícia Federal havia solicitado que Flávio entregasse seus documentos de viagem no prazo de 24 horas. Como a determinação não foi cumprida, os passaportes brasileiros foram cancelados e um alerta migratório foi emitido.
A situação está relacionada a investigações envolvendo o senador, entre elas suspeitas sobre relações financeiras e a arrecadação de recursos para a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal declarou não possuir registro oficial da saída de Flávio do território brasileiro e informou que apura as circunstâncias do deslocamento e um possível descumprimento de determinações judiciais.
Próximo passo pode ser a residência permanente
Informações atribuídas a uma autoridade americana indicam que Flávio poderá solicitar futuramente o chamado green card, documento que permite a residência permanente nos Estados Unidos.
O procedimento poderia ocorrer de maneira acelerada, seguindo um caminho semelhante ao de seu irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que obteve residência permanente no país em julho de 2026.
Após chegar a Miami, Flávio divulgou uma carta na qual afirmou ser vítima de perseguição política e agradeceu ao presidente Donald Trump e ao governo argentino.
O episódio amplia a repercussão internacional da saída do senador do Brasil e levanta questionamentos sobre a participação de integrantes da administração americana na operação de transporte.



