29/10/2026
Política

Assessor da Casa Branca admite que providenciou avião usado por Flávio Bolsonaro para chegar aos EUA

O envolvimento de integrantes do governo de Donald Trump na viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (29). O assessor de comunicação da Casa Branca, Jason Miller, confirmou ao portal Metrópoles que foi responsável por providenciar o avião particular utilizado pelo senador brasileiro e seus familiares.

A confirmação reforça as informações divulgadas inicialmente pelo jornal norte-americano The New York Times, que apontou a participação de pessoas ligadas ao governo dos Estados Unidos na organização do deslocamento.

Flávio, que havia sido derrotado na eleição presidencial brasileira, chegou a Miami na quarta-feira (28), acompanhado da esposa e das duas filhas. A entrada da família em território americano foi autorizada pelo presidente Donald Trump, por meio de uma modalidade migratória temporária chamada parole.

Esse mecanismo permite a permanência provisória de estrangeiros nos Estados Unidos em situações consideradas de interesse público ou por razões humanitárias.

Aeronave saiu da Argentina

O avião utilizado na viagem é um Gulfstream G400, pertencente à empresa argentina Baires Fly. A aeronave, identificada pela matrícula LV-JQW, tem capacidade para transportar até 13 passageiros.

O trajeto informado pelas publicações começou na Argentina, de onde a família embarcou com destino a Guayaquil, no Equador. Posteriormente, o grupo seguiu para Miami, onde desembarcou na manhã de quarta-feira.

Segundo informações divulgadas, a organização da viagem começou na segunda-feira (26), justamente no período em que autoridades brasileiras solicitaram a entrega dos passaportes do senador.

Passaportes e investigação no Brasil

A Polícia Federal havia solicitado que Flávio entregasse seus documentos de viagem no prazo de 24 horas. Como a determinação não foi cumprida, os passaportes brasileiros foram cancelados e um alerta migratório foi emitido.

A situação está relacionada a investigações envolvendo o senador, entre elas suspeitas sobre relações financeiras e a arrecadação de recursos para a produção de um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A Polícia Federal declarou não possuir registro oficial da saída de Flávio do território brasileiro e informou que apura as circunstâncias do deslocamento e um possível descumprimento de determinações judiciais.

Próximo passo pode ser a residência permanente

Informações atribuídas a uma autoridade americana indicam que Flávio poderá solicitar futuramente o chamado green card, documento que permite a residência permanente nos Estados Unidos.

O procedimento poderia ocorrer de maneira acelerada, seguindo um caminho semelhante ao de seu irmão, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, que obteve residência permanente no país em julho de 2026.

Após chegar a Miami, Flávio divulgou uma carta na qual afirmou ser vítima de perseguição política e agradeceu ao presidente Donald Trump e ao governo argentino.

O episódio amplia a repercussão internacional da saída do senador do Brasil e levanta questionamentos sobre a participação de integrantes da administração americana na operação de transporte.

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