17/09/2026
Brasil

Às vésperas da eleição, governo Lula anuncia reajuste de 15% no Bolsa Família

O governo Lula anunciou, nesta quinta-feira (17), o reajuste de 15,04% nos benefícios do Bolsa Família. Com a mudança, o valor mínimo pago pelo programa passará de R$ 600 para R$ 691.

O benefício médio, atualmente em R$ 675, deverá subir para R$ 777, segundo o Ministério do Planejamento. Os novos valores começam a ser pagos em 19 de outubro, entre o primeiro e o eventual segundo turno das eleições presidenciais.

O anúncio ocorre em meio à corrida eleitoral. Apoiadores de Flávio já informaram que pretendem acionar a Justiça Eleitoral contra o reajuste anunciado pelo governo Lula.

Impacto aos cofres públicos

Segundo o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o aumento terá um custo de R$ 5,8 bilhões entre outubro e dezembro deste ano.

Para 2027 e 2028, o impacto estimado será de R$ 22,7 bilhões por ano. Com isso, a previsão de gastos com o Bolsa Família em 2027 deverá passar de R$ 157,1 bilhões para aproximadamente R$ 179 bilhões.

De acordo com Moretti, o governo possui espaço fiscal suficiente para custear a medida. Os dados detalhados deverão ser apresentados no relatório previsto para o dia 24.

O governo também afirma que a ampliação dos mecanismos de combate a fraudes contribuiu para viabilizar o reajuste.

Adicionais também aumentam

Além do piso do Bolsa Família, os benefícios adicionais pagos de acordo com a composição familiar também serão reajustados.

Os novos valores serão:

  • R$ 173 por criança com menos de 7 anos;
  • R$ 58 por gestante;
  • R$ 58 por pessoa entre 7 e 18 anos incompletos;
  • R$ 58 por bebê de até seis meses.

Atualmente, os pagamentos adicionais são de R$ 150 por criança de até 6 anos e de R$ 50 para gestantes, jovens e bebês de até seis meses.

Quem tem direito?

Para receber o Bolsa Família, a família deve ter renda mensal de até R$ 218 por pessoa e manter os dados de todos os integrantes atualizados no Cadastro Único.

Também é necessário cumprir compromissos relacionados à saúde e à educação, como acompanhamento pré-natal, vacinação das crianças e frequência escolar.

Em agosto, aproximadamente 19,3 milhões de famílias receberam o benefício em todo o país.

Primeiro reajuste desde 2023

O Bolsa Família foi relançado pelo governo Lula em março de 2023 e estava sem reajuste desde então. Segundo a equipe econômica, o aumento representa a reposição da inflação acumulada desde o início do atual mandato até agosto.

A medida não constava na proposta inicial do Orçamento de 2027 enviada pelo governo ao Congresso Nacional.

A legislação do novo Bolsa Família prevê que os valores poderão ser corrigidos em um intervalo máximo de dois anos. Na interpretação do governo, a lei autoriza o reajuste, mas não determina que a atualização seja obrigatória.

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