O youtuber Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, publicou nesta sexta-feira (08) um vídeo de quase 50 minutos acusando o influenciador Hytalo Santos de promover a “sexualização precoce” e a “adultização” de crianças e adolescentes como estratégia para gerar engajamento nas redes sociais. No material, que ultrapassou 5 milhões de visualizações em apenas um dia, Felca classificou as práticas como “nefastas” e um “circo macabro”.
Entre os casos citados, está o de “Kamylinha”, que começou a aparecer nos conteúdos de Hytalo aos 12 anos. Segundo Felca, a adolescente foi exposta a situações inadequadas, incluindo cenas de proximidade física com adultos e participação em festas com conotação sexual. Ele também exibiu trechos de vídeos em que menores apareciam sob cobertores com adultos ou em interações consideradas sugestivas.

As denúncias reacenderam o debate sobre os limites éticos e legais na participação de menores em produções digitais. Especialistas destacam que, se confirmadas, as práticas podem configurar violações ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que prevê proteção integral à criança e ao adolescente, incluindo regras rígidas contra a exploração sexual e a exposição indevida.
Hytalo Santos já era investigado pelo Ministério Público da Paraíba desde 2024 por suspeitas semelhantes, com apurações conduzidas nas cidades de Bayeux e João Pessoa. Após a repercussão do vídeo, o perfil do influenciador no Instagram foi removido. Até o momento, ele não se pronunciou publicamente sobre as acusações.
Processos por acusações de pedofilia
A repercussão da denúncia também trouxe ataques contra o próprio Felca. Durante suas investigações sobre Hytalo, ele admitiu ter seguido perfis de menores com sua conta pública, alegando que fazia parte de um levantamento de informações para a produção do vídeo. O gesto, no entanto, motivou mais de 200 perfis no X (antigo Twitter) a acusá-lo de pedofilia.
Negando veementemente as acusações, Felca iniciou ações judiciais contra aproximadamente 233 contas que, segundo ele, o difamaram publicamente e o associaram a crimes sexuais sem apresentar provas.
O youtuber apresentou uma proposta para encerrar as ações: cada acusado pode fazer uma doação de R$ 250 a instituições de proteção à infância — como Banco de Dados Childhood Brasil, Instituto Libera e Fundação Abrinq — e publicar uma retratação pública. Após o cumprimento dessas condições, Felca afirma que retirará os processos.
“A única pessoa que ganha quando a palavra ‘pedofilia’ é vulgarizada é o próprio pedófilo”, declarou o influenciador, justificando a decisão de acionar judicialmente os autores das ofensas.
Possíveis consequências jurídicas
No caso das denúncias contra Hytalo Santos, se comprovadas violações ao ECA, ele poderá responder por crimes de exploração sexual de menores e produção de conteúdo impróprio envolvendo crianças e adolescentes, com penas que podem incluir reclusão.
Já em relação às ações movidas por Felca, as pessoas processadas podem ser condenadas por crimes contra a honra, como calúnia e difamação, além de terem de arcar com indenizações por danos morais. O acordo proposto pelo youtuber, contudo, busca evitar a sobrecarga judicial e transformar a punição em benefício direto para instituições de defesa da infância.
Quem é Felca
Felipe Bressanim Pereira, o Felca, tem 26 anos, nasceu em Londrina (PR) e atualmente vive em São Paulo. Ele acumula cerca de 20 milhões de seguidores somando YouTube, TikTok e Instagram. Conhecido pelo humor ácido e pelo tom crítico de seus vídeos, ganhou destaque com produções que misturam sátira e opinião, como a paródia “Testei a base da Virgínia”, que ultrapassou 19 milhões de visualizações.
Sua trajetória na internet começou em 2012, com transmissões de games. Hoje, também se destaca no TikTok com transmissões ao vivo no estilo “NPC” (personagem não jogável). Já participou de programas como The Noite (SBT) e De Frente com Blogueirinha (Dia TV). Parte da renda obtida com suas lives é revertida para instituições beneficentes.



