Um caso de desaparecimento de corpo no Cemitério Municipal de Araras (SP) gerou indignação. O corpo de Fernando Rodrigues, sepultado em dezembro de 2021 após falecer em decorrência da Covid-19, não foi encontrado no jazigo onde havia sido enterrado. No lugar, a identificação do túmulo correspondia a outra pessoa.
Diante da situação, a esposa de Fernando, Ivana Rodrigues, buscou informações junto à administração do cemitério e foi surpreendida com a notícia de que os restos mortais haviam sido exumados e armazenados em um saco preto sem identificação, embaixo da capela. Em entrevista exclusiva ao RCA1, ela afirma que nem ela, nem qualquer membro da família, foi comunicado sobre a medida.
“É impossível reconhecer como sendo ele. Uma ossada sem identificação não me garante que seja meu marido. Ele foi um excelente pai, filho e marido muito amado, e merece um lugar digno onde possamos orar por ele. Não vou descansar enquanto esse caso não se resolver”, declarou Ivana, que registrou boletim de ocorrência e cobra a realização de exame de DNA.
A família contesta a legalidade da exumação, sustentando que vítimas da Covid-19 só poderiam ser retiradas após cinco anos, mas o procedimento ocorreu em 2024, apenas três anos depois do sepultamento.
O que diz a Prefeitura
A Prefeitura confirmou que a exumação de Fernando Rodrigues ocorreu em 29 de dezembro de 2024, durante a gestão anterior do Cemitério Municipal. Informou ainda que a Lei Municipal nº 2.647, de 27 de dezembro de 1994, autoriza a retirada de restos mortais após três anos, e não cinco, como alegam os familiares.
Segundo a atual administração, não há registros sobre a comunicação com a família à época, mas foi garantido que desde janeiro de 2025 os parentes são chamados a acompanhar todas as exumações. Em situações em que os familiares não são localizados, a lei determina que seja feita publicação no Diário Oficial.
Quanto à ossada apresentada, a Prefeitura afirmou que, pelas características do cadáver e informações dos coveiros, “tudo indica que ela já foi localizada”, mas reconheceu que somente um exame de DNA poderá confirmar a identidade. O município afirmou que custeará o procedimento.
A administração municipal lamentou o ocorrido, pediu desculpas à família e declarou que atualmente os protocolos legais de exumação são seguidos com maior rigor para evitar novos casos.
Indignação
Indignada com a falta de respostas imediatas, Ivana, que é bacharel em Direito e atua no Tribunal de Justiça de Araras, disse se sentir desrespeitada. “Sou cidadã de bem e exijo respeito. Já se passaram dias desde o ocorrido e não houve manifestação imediata. Estou muito indignada. É um descalabro”, afirmou.
Confira abaixo a entrevista exclusiva com o repórter Gil Zaniboni



