O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta semana que mulheres grávidas não deveriam utilizar Tylenol (paracetamol), associando o medicamento a um suposto risco de autismo em crianças. Segundo ele, sua administração pretende determinar que o FDA, a agência reguladora de medicamentos norte-americana, altere os rótulos para incluir advertências sobre esse risco. A declaração causou repercussão imediata no meio científico e entre autoridades de saúde, que ressaltaram não existir evidência robusta que comprove essa ligação.
O paracetamol é amplamente recomendado por médicos em todo o mundo como uma das opções mais seguras para o alívio de dor e febre durante a gestação, justamente por apresentar menor risco em comparação a outros analgésicos e anti-inflamatórios. Estudos observacionais, conduzidos em diferentes países, chegaram a sugerir associação entre o uso do medicamento na gravidez e maior incidência de distúrbios do neurodesenvolvimento, como autismo e TDAH. Contudo, especialistas alertam que esses levantamentos não demonstram causalidade e podem ter sido influenciados por fatores externos, como histórico familiar, infecções, febre e condições médicas das gestantes.
Um dos trabalhos mais abrangentes sobre o tema, realizado na Suécia e publicado em 2024, acompanhou aproximadamente 2,5 milhões de crianças e concluiu que não havia relação significativa entre o uso de paracetamol na gravidez e o risco de autismo ou TDAH. A Organização Mundial da Saúde também já classificou como “inconsistentes” as evidências disponíveis até agora e alertou que mensagens de caráter alarmista podem gerar medo indevido entre gestantes.
Apesar das declarações do presidente Trump, especialistas reforçam que a orientação médica vigente permanece a mesma: o uso do paracetamol deve ser feito apenas quando necessário, sempre na menor dose eficaz e pelo menor tempo possível. Autoridades de saúde também lembram que a febre alta, quando não tratada, pode trazer riscos relevantes ao desenvolvimento do feto, razão pela qual a avaliação profissional deve prevalecer sobre decisões baseadas em declarações políticas.



