O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quinta-feira (25) novas tarifas de importação que atingem setores estratégicos da economia. As taxas variam entre 25% e 100% e começarão a valer em 1º de outubro. A medida foi comunicada pelo republicano em suas redes sociais e confirmada pela Casa Branca.
De acordo com o anúncio, produtos farmacêuticos de marca ou patenteados serão taxados em 100%, com exceção das empresas que estiverem construindo fábricas no território norte-americano. Caminhões pesados terão tarifa de 25%, enquanto móveis de cozinha, armários e gabinetes de banheiro receberão sobretaxa de 50%. Já os móveis estofados terão imposto de 30%.
Trump justificou a decisão alegando a necessidade de proteger a indústria nacional por motivos de segurança e para evitar, segundo ele, que o mercado norte-americano seja “inundado” por produtos estrangeiros. O governo ainda ressaltou que as medidas integram a política de fortalecimento da produção interna e redução da dependência externa em setores considerados essenciais.
As tarifas devem provocar reação de parceiros comerciais, sobretudo em setores como o farmacêutico e o moveleiro, que mantêm forte presença nas exportações para os Estados Unidos. Especialistas avaliam que a medida poderá elevar preços para os consumidores americanos, mas o governo defende que a ação é necessária para preservar empregos e incentivar a instalação de novas indústrias no país.
Impactos para o Brasil
No caso brasileiro, os efeitos podem ser significativos. Diversos produtos nacionais já sofrem com tarifas adicionais impostas pelos EUA desde agosto, o que encarece as exportações e compromete a competitividade de setores como o químico, o agroindustrial e o de alimentos processados. A indústria química, em especial, manifestou preocupação com a possibilidade de cancelamento de pedidos. No setor agro, exportações de derivados de bovinos, como a gordura usada em biocombustíveis, já registram queda acentuada.
Estudos econômicos indicam que a medida pode levar à perda de mais de 100 mil empregos no Brasil e a uma redução nas exportações em torno de 2,4%. O governo brasileiro anunciou que adotará a Lei da Reciprocidade, prometendo sobretaxar produtos norte-americanos em resposta. Também sinalizou a compra de parte da produção afetada — como açaí, castanha e pescado — para programas estatais e formação de estoques, de forma a minimizar os prejuízos aos produtores.



