19/03/2026
Brasil Saúde

Surto de sarampo nas Américas acende alerta no Brasil

O avanço do sarampo em países das Américas colocou autoridades de saúde em estado de atenção no Brasil. Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mostram que o continente registrou 14.891 casos da doença no ano passado — um salto expressivo em relação aos 446 registros do período anterior. Desse total, 38 ocorrências foram confirmadas em território brasileiro.

Em 2026, o cenário segue preocupante. Até 5 de março, já foram contabilizados mais de 7.145 casos nas Américas. No Brasil, o primeiro registro ocorreu no início do mês, envolvendo uma bebê de seis meses, no estado de São Paulo. A infecção foi associada a uma viagem familiar à Bolívia, que enfrenta surto da doença.

Casos vêm do exterior e desafiam controle

A circulação internacional de pessoas tem sido um dos principais fatores de risco. De acordo com o diretor do Programa Nacional de Imunizações, Eder Gatti, o Brasil enfrenta dificuldades adicionais por conta do fluxo constante de turistas e das extensas fronteiras.

O Brasil tem um desafio muito grande, que é o fato de nós sermos um país com muitas áreas turísticas que recebem estrangeiros, no nosso litoral, na nossa Amazônia, no nosso Pantanal. Nós recebemos estrangeiros do mundo inteiro, e tem uma ampla fronteira terrestre com várias cidades gêmeas, com circulação de muita gente.

Diante desse cenário, o Ministério da Saúde intensificou ações preventivas, com campanhas de vacinação em regiões de fronteira e reforço da vigilância epidemiológica, especialmente em áreas mais vulneráveis. As medidas incluem desde imunização preventiva até monitoramento de possíveis cadeias de transmissão.

A preocupação aumenta com a proximidade da Copa do Mundo FIFA de 2026, que será realizada nos Estados Unidos, Canadá e México — países que lideram o número de casos de sarampo no continente.

Isso também está deixando a gente bem alerta. Então, por isso que, por exemplo, a gente tem trabalhado com a Anvisa para deixar os recados nas aeronaves, nos aeroportos, até nos portos, por conta dos cruzeiros. Então, tem feito esse exercício de sempre estar falando de sarampo, para que seja um assunto sempre presente na vida das pessoas.

Vacinação segue como principal proteção

Especialistas reforçam que a imunização é a forma mais eficaz de evitar a doença. O vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, destaca que a vacina contra o sarampo tem alto poder de bloqueio da transmissão.

“São vacinas que a gente chama de esterilizantes. Elas evitam, inclusive, que a pessoa seja uma portadora e transmissora. Por isso que a imunização em altas taxas funciona como barreira na circulação do vírus.”

Pelo calendário do SUS, a proteção ocorre em duas etapas: a primeira dose é aplicada aos 12 meses, com a tríplice viral, e a segunda aos 15 meses, com a tetraviral. Em situações de risco, pode ser utilizada a chamada “dose zero”, indicada como proteção temporária.

Apesar dos avanços, a cobertura vacinal ainda preocupa. Em 2025, cerca de 92,5% das crianças receberam a primeira dose, mas apenas 77,9% completaram o esquema dentro do prazo recomendado. A orientação é que pessoas de até 59 anos sem comprovação de vacinação busquem a imunização.

O Brasil recuperou, em 2024, o certificado de área livre de circulação do sarampo, após interromper a transmissão sustentada. Embora o título esteja mantido, autoridades reforçam que o momento exige vigilância constante para evitar novos surtos.

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