Mesmo diante da avalanche de novas tecnologias e plataformas digitais, o rádio continua ocupando espaço relevante no dia a dia da população. Dados do estudo Data Stories: Inside Audio 2025, do Kantar IBOPE Media, indicam que o meio alcança 79% dos ouvintes nas regiões metropolitanas, consolidando-se como um dos formatos mais populares de comunicação.
Longe de ser um canal ultrapassado, o rádio tem demonstrado capacidade de adaptação ao longo das décadas. Nem mesmo o avanço da televisão, dos serviços de streaming e dos podcasts foi suficiente para reduzir de forma significativa sua presença entre diferentes públicos.
O alcance do rádio também se destaca entre o público jovem, contrariando a ideia de que o meio é consumido apenas por gerações mais velhas. De acordo com o relatório Audio Today 2026, da Nielsen, 93% dos adultos nos Estados Unidos ouvem rádio, índice que permanece elevado entre os mais jovens, com 89% de alcance. No campo publicitário, o meio reforça sua relevância ao concentrar mais de 60% do tempo de consumo de áudio com anúncios. Dados do Kantar ainda indicam que os ouvintes costumam apresentar maior receptividade à publicidade veiculada no rádio.
Para especialistas do setor, o diferencial está justamente na forma de consumo. Ao contrário das plataformas sob demanda, o rádio oferece uma experiência mais direta e espontânea, acompanhando o ouvinte em tempo real. Essa característica cria um vínculo distinto, que não é necessariamente concorrente das novas mídias.
Segundo o diretor geral de rádios da Forbes, Marcelo Braga, o crescimento do streaming não elimina o espaço do rádio — pelo contrário, os formatos podem coexistir e até se complementar.
“O streaming não compete com o rádio, e, em alguns casos, até podem ser complementares. Hoje, o usuário do streaming abre um catálogo infinito, e precisa decidir, muitas vezes gerando o conhecido “paradoxo da escolha”, onde o excesso de opções paralisa. O rádio elimina essa fricção. Ele entrega uma sequência pensada, testada, editada com conteúdos pensados cuidadosamente”, afirma.
A permanência do meio reforça sua relevância histórica e atual, mostrando que, mesmo após séculos desde seu surgimento, o rádio segue firme como uma das principais fontes de informação e entretenimento.



