A Polícia Federal decidiu promover mudanças na equipe responsável por investigações envolvendo o Banco Master. Dois delegados que ocupavam posições estratégicas na apuração das suspeitas de irregularidades na instituição financeira deverão deixar seus cargos de chefia na corporação. A informação é do portal UOL.
Os investigadores Daniel Mostadeiro Cola e Wedson Cajé serão exonerados da Coordenadoria-Geral de Repressão à Corrupção, Crimes Financeiros e Lavagem de Dinheiro. A decisão ocorre após uma reestruturação da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq), setor da PF responsável por investigações que tramitam em instâncias superiores.
Com a reorganização, caberá ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, indicar novos nomes para ocupar as funções.
Delegados também podem deixar investigação do Banco Master
A mudança administrativa não significa, necessariamente, o desligamento dos dois investigadores dos inquéritos relacionados ao Banco Master. Entretanto, informações obtidas pelo UOL junto a fontes indicam que ambos também deverão ser retirados da investigação.
Cola e Cajé tiveram participação importante na produção de relatórios policiais que identificaram conversas entre Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
O material, que reuniu mais de 300 interações, apontou mensagens nas quais Vorcaro teria solicitado auxílio ao ministro. A apuração foi encaminhada ao Supremo por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso.
Moraes, por sua vez, negou qualquer interferência em benefício do banco e classificou como ilegal a elaboração do relatório por determinação de Mendonça. O ministro também solicitou que o colega fosse investigado por suposto abuso de poder.
Relatório envolvendo ministros do STF ainda não foi entregue
Além das apurações sobre o Banco Master, os dois delegados estavam encarregados de preparar outro documento considerado relevante para o andamento do caso.
O relatório deveria reunir informações sobre os ministros do STF mencionados nas provas obtidas durante as investigações, especialmente nos dados extraídos do telefone celular de Daniel Vorcaro.
A solicitação partiu do presidente do Supremo, ministro Edson Fachin. A intenção é reunir a descrição dos fatos e a identificação dos integrantes da Corte citados nos materiais, permitindo que o assunto seja analisado pelo plenário do tribunal.
A expectativa era de que o documento fosse encaminhado à Presidência do STF ainda na primeira semana de novembro. Até este domingo (8), entretanto, o relatório não havia sido entregue.
Posicionamento da Polícia Federal
A reportagem original do UOL informou que procurou a assessoria de imprensa da Polícia Federal para obter esclarecimentos sobre a saída dos delegados das funções administrativas, mas não recebeu resposta até a publicação.



