Casas de apostas começaram a notificar clubes brasileiros sobre a possibilidade de rescisão dos contratos de patrocínio caso o governo federal proíba os jogos on-line e as apostas esportivas no país.
Segundo informações publicadas pelo colunista Rodrigo Mattos, do UOL, a Superbet, patrocinadora do São Paulo e do Fluminense, teria enviado notificações extrajudiciais às duas equipes. Procurados, porém, os clubes não confirmaram oficialmente o recebimento dos documentos.
A Esportes da Sorte também comunicou os clubes patrocinados sobre um possível rompimento dos acordos em caso de mudança na legislação. Entre eles está o Corinthians, que confirmou oficialmente o recebimento do aviso.
O clube paulista considerou a comunicação uma medida protocolar, uma vez que o contrato não poderia ser mantido caso as atividades das casas de apostas fossem proibidas. O Corinthians também informou que mantém contato frequente e bom relacionamento com a patrocinadora.
Já a Betano, responsável pelo maior contrato de patrocínio do futebol brasileiro, não notificou oficialmente o Flamengo. No entanto, representantes da empresa conversaram com a diretoria rubro-negra e explicaram que uma proibição total das apostas provocaria a rescisão do acordo.
O contrato entre Flamengo e Betano estabelece diferentes possibilidades em caso de alteração da legislação. Um aumento na tributação poderia reduzir os valores do patrocínio, enquanto a proibição dos cassinos on-line teria outro impacto. Já um veto completo às apostas permitiria o encerramento do vínculo.
Portanto, até o momento, a situação oficialmente confirmada por um clube é a do Corinthians. Os avisos enviados pela Superbet ao São Paulo e ao Fluminense foram confirmados por fontes do mercado ouvidas pelo UOL, mas não pelas duas equipes. No Flamengo, houve apenas uma conversa entre as diretorias, sem notificação formal.
Clubes e federações se manifestam
A discussão provocou uma mobilização conjunta de clubes e federações estaduais. A Federação Paulista de Futebol (FPF) publicou oficialmente, em seu site e nas redes sociais, o manifesto intitulado “O fim do futebol brasileiro”.
O documento também foi compartilhado por equipes como Corinthians, Palmeiras, São Paulo, Santos, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Vasco, Atlético-MG e Cruzeiro, além de outras entidades esportivas. Federações do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Bahia também aderiram ao movimento.
No manifesto, as entidades reconhecem os problemas sociais provocados pelas apostas, especialmente entre pessoas vulneráveis, mas defendem o fortalecimento da fiscalização, da educação e dos mecanismos de prevenção, em vez da proibição do mercado regulamentado.
A FPF afirma que os investimentos das empresas autorizadas se transformaram em uma das principais fontes de receita do futebol e alcançam não apenas os grandes times, mas também clubes do interior, divisões de acesso, categorias de base, futebol feminino e projetos sociais.
Atualmente, 13 dos 20 clubes da Série A possuem casas de apostas como patrocinadoras máster. A estimativa apresentada pelos dirigentes é de que aproximadamente R$ 1 bilhão em contratos de patrocínio esteja diretamente ameaçado.
Clubes e federações também articulam um pedido de audiência com o presidente Lula para discutir a possível Medida Provisória. De acordo com o ge, a proposta em estudo pode atingir principalmente os cassinos on-line, responsáveis por grande parte do faturamento das operadoras, sem necessariamente proibir as apostas esportivas. Mesmo assim, os dirigentes temem que a redução das receitas das empresas afete os investimentos no futebol.
Lula volta a defender o fim das apostas
Na quarta-feira (23), durante um evento de campanha no Rio de Janeiro, Lula voltou a afirmar que pretende “acabar com as bets”. O presidente relacionou as plataformas ao endividamento das famílias e à ludopatia, nome dado ao vício em jogos e apostas.
O governo estuda diferentes alternativas, entre elas ampliar as restrições à publicidade, proibir apenas os cassinos on-line — como o chamado “Jogo do Tigrinho” — ou vetar todas as modalidades de apostas digitais. Até agora, nenhuma Medida Provisória foi oficialmente publicada.
Apesar das incertezas, o Grêmio anunciou na quarta-feira um contrato de três anos com a Pitaco, que será a nova patrocinadora máster do clube. O acordo foi confirmado justamente em meio às discussões sobre possíveis restrições ao setor.


