Uma operação do Ministério Público de São Paulo, realizada nesta quarta-feira (11), teve como alvo a estrutura do crime organizado ligada ao Comando Vermelho em cidades do interior paulista, especialmente na região de Rio Claro. A ação resultou em prisões, bloqueio milionário de contas e apreensões de bens.
Batizada de Operação Linea Rubra, a ofensiva foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Civil e da Secretaria da Fazenda. O objetivo foi atingir a logística, o financiamento e as operações da facção criminosa que atua no tráfico de drogas e armas, além de estar ligada a homicídios e lavagem de dinheiro.
Ao todo, a Justiça determinou 19 prisões preventivas, das quais cinco já foram cumpridas. Outros seis investigados já estavam detidos por crimes anteriores. Também foram expedidos 26 mandados de busca e apreensão em endereços localizados nas cidades de Rio Claro, Ribeirão Preto e Indaiatuba.
Durante a operação, foram bloqueados R$ 33,6 milhões em contas bancárias relacionadas ao grupo investigado. As autoridades também determinaram o bloqueio de bens vinculados a 35 CPFs e CNPJs, além do sequestro de 12 imóveis e 103 veículos. Desses veículos, 26 foram apreendidos durante as diligências.
Entre os presos está um empresário de Rio Claro, proprietário de uma garagem de veículos, localizado em uma residência dentro de um condomínio de alto padrão.
Liderança foragida
De acordo com as investigações, o principal alvo da operação é Leonardo Felipe Panono Scupin Calixto, conhecido como “Bode”. Ele é apontado como um dos responsáveis por comandar as atividades da facção na região e segue foragido. A suspeita é de que esteja escondido em comunidades do Rio de Janeiro.
Segundo os investigadores, Calixto seria responsável por coordenar a produção e distribuição de drogas em grande escala, controlar recursos financeiros do grupo e autorizar execuções de rivais.

Disputa entre facções
As apurações começaram após uma série de homicídios registrados na região, ligados à disputa territorial entre organizações criminosas. Conforme a Polícia Civil, integrantes ligados ao Comando Vermelho passaram a disputar espaço com grupos associados ao PCC no interior paulista.
De acordo com o delegado Paulo Hadich, as investigações reuniram diferentes ocorrências criminais e apontaram a existência de uma disputa organizada entre as facções.
Esquema estruturado
A investigação, que durou cerca de oito meses, revelou um esquema considerado sofisticado pelas autoridades. O grupo utilizava veículos com compartimentos ocultos, conhecidos como “carros-cofre”, para transportar drogas e armas.
Para ocultar a origem do dinheiro obtido com atividades ilegais, os investigados também utilizavam empresas de fachada e contas bancárias de terceiros. As transações financeiras eram realizadas por meio de PIX, transferências bancárias e depósitos em dinheiro.
Em apenas um mês de monitoramento, a movimentação financeira identificada ultrapassou R$ 1,19 milhão.
Grande mobilização policial
O cumprimento das medidas judiciais mobilizou 120 policiais civis, três promotores de Justiça, 41 viaturas, além do Serviço Aerotático da Polícia Civil. Auditores da Secretaria da Fazenda também participaram da operação e identificaram irregularidades fiscais em empresas ligadas aos investigados.
O nome da operação, Linea Rubra, que significa “Linha Vermelha”, faz referência à intenção das autoridades de estabelecer um limite para o avanço territorial da organização criminosa no estado de São Paulo.



