Difícil, muito difícil crer no progresso e na ordem de um país como o nosso. Esta semana ficou demonstrado mais uma vez que o brasileiro perdeu para o sistema. O cidadão lesado, roubado, que teve sua parca aposentadoria sacaneada, levou mais um revés.
O escândalo do INSS ainda em discussão, viu a prorrogação das investigações sobre tantos envolvidos, bloqueada pela justiça, pasmem, pela ´justiça. Claro que por trás disso, além da questão jurídica tênue sobre a invasão de competência de um poder sobre o outro, está o interesse de gente grande, que há décadas está envolvida na disputa de poder e grana.
Quando falo na questão da discussão acerca da competência, entendo que o congresso nacional, através de suas casas – senado e câmara – tem competência à base da constituição federal para investigar, podendo inclusive, discutir e decidir pela prorrogação do prazo dessas investigações. O tema por sua vez foi levado ao referendo o supremo tribunal federal, o que no meu entender – já que atolado em escândalos da maioria dos seus membros – além de decidir de forma parcial, não tinha porque deferir o prosseguimento das investigações. Isso porque o tribunal constitucional – como deveria ser – tem competência para discutir o que é ou não constitucional, sendo certo, ao meu ver, que a competência da investigação, de forma até mesmo originária (pois criada quando da constituinte em 1988) é mesmo das casas legislativas, o congresso nacional.
Levar o pedido de prorrogação à corte suprema, além de equivocado – na minha ótica – foi a bandeja que a maioria dos dez supremos aguardavam para jogar para debaixo do tapete mais um escândalo lesa pátria que envolve a muitos, de todos os poderes. Quando se questiona o prazo de investigação, até pondero sobre a jornada minguada dos nossos parlamentares, que convenhamos, pouco trabalham. Se houvesse empenho na semana de cinco dias, talvez os trabalhos pretendidos teriam sido concluídos, no sentido de se apontar realmente quem está por trás desse rombo todo. Mas não; além de trabalharem pouco, ficam puxando a coberta para um lado, descobrindo outro, e assim por diante, sempre postergando a chegada aos envolvidos de fato, visando proteger alguns em detrimento de outros.
Essa questão do multipartidarismo, que não passa de uma cortina de fumaça para tornar possível nomes de sempre no poder, acaba por fazer o jogo do poder e interesses desse ´sistema´ contra o próprio povo que os elege. A verdade é que temos sim, pessoas de todos os poderes envolvidas neste escândalo da previdência social, o qual vitimou os mais frágeis da escada social, privilegiou os mais influentes dos três poderes, e cuja conta, ficará para nós, os pagadores de impostos.
O sistema sim existe e é cruel. Ele é composto por uma grande e bem organizada quadrilha, que comemora o rombo aos aposentados, tornando nosso grande país numa grande pizzaria, cultuando ministros e políticos de estimação – também partícipes do escândalo, direta ou indiretamente – sob o jargão da ´missão dada, missão cumprida´. Insisto em repetir que me vejo cada vez mais descrente de tudo o que vemos neste brasil.
Difícil, muito difícil mesmo crer que este será um país honesto, forte e regido por integridade e seriedade. O mesmo supremo que suspende multas bilionárias de acordos de leniência, que anula condenações até mesmo de bandidos confessos, é composto por ministros que recebem desses atores, doações ou transferências de dinheiro escuso, através de empresas de família e interesses outros.
Filho de presidente da república envolvido no rombo até a garganta, todos os bilhões que furtaram, enfim, a própria rejeição de prorrogação dos trabalhos da cpmi do inss pelo supremo, demonstra claramente que vivemos sob um sistema pesadíssimo, intocável, que só visa atos criminosos, escusos além do interesse pessoal sobre o social e coletivo, com requintes de impunidade, tão indesejada, aliás, mas a que mais impera neste sistema.
O lema é ´tudo sob o tapete´, como tem sido visto na historia recente deste pobre país. Que pena.



