A Nestlé iniciou uma ampla reformulação de suas operações internacionais, com previsão de eliminar aproximadamente 16 mil postos de trabalho até o fim de 2027. O processo também envolve o encerramento de unidades industriais em alguns países europeus e mudanças na forma de produção e gestão da companhia.
Apesar dos cortes em mercados internacionais, o cenário no Brasil segue em outra direção. A multinacional anunciou R$ 7 bilhões em investimentos no país entre 2025 e 2028, destinados à modernização de fábricas, ampliação da produção, inovação e projetos de sustentabilidade.
Cortes atingem áreas administrativas e industriais
Do total de empregos que devem ser eliminados, cerca de 12 mil estão concentrados em funções administrativas e profissionais. Outros 4 mil postos deverão ser reduzidos principalmente em áreas ligadas à fabricação e à cadeia de suprimentos.
Entre as medidas adotadas pela Nestlé estão a simplificação de processos, ampliação da automação, utilização de serviços compartilhados e eliminação de estruturas consideradas duplicadas.
O programa de redução de custos da empresa, chamado Fuel for Growth, teve sua meta de economia ampliada para 3 bilhões de francos suíços até o final de 2027.
Unidades na Europa serão encerradas
A reestruturação já inclui o fechamento de fábricas.
Na Alemanha, a Nestlé encerrou as atividades da unidade de Neuss, na região de Düsseldorf. A fábrica era responsável pela produção de itens como óleo, maionese e mostarda da marca Thomy.
Na Hungria, a companhia anunciou que a fábrica de Diósgyőr deixará de produzir em dezembro de 2026. A unidade fabrica chocolates e produtos sazonais de marcas como KitKat, Smarties e Milkybar.
Segundo a empresa, a decisão está relacionada principalmente à redução da demanda por chocolates sazonais e à queda do volume produzido na unidade.
Fechamento da fábrica não significa fim do KitKat
O encerramento da fábrica húngara não representa o fim da produção do KitKat ou das demais marcas fabricadas na unidade.
A fábrica de Diósgyőr responde apenas por parte da produção, especialmente de produtos sazonais. A Nestlé informou que pretende transferir essa fabricação para um fornecedor externo, mantendo os produtos disponíveis no mercado.
Brasil recebe investimentos bilionários
Enquanto algumas operações internacionais passam por redução, o Brasil aparece como um dos mercados estratégicos para a expansão da Nestlé.
Do pacote de R$ 7 bilhões previsto para o período de 2025 a 2028, diferentes unidades brasileiras receberão recursos.
Em Minas Gerais, estão previstos investimentos nas fábricas de Montes Claros, onde são produzidos itens da linha Nescafé Dolce Gusto, e de Ituiutaba, voltada à fabricação de produtos de nutrição infantil.
Na cidade de Araras (SP), a Nestlé anunciou aproximadamente R$ 1 bilhão para modernizar e ampliar a fábrica de cafés solúveis. A unidade tem papel importante na produção de Nescafé, inclusive para exportação a diversos países.
Já em Vila Velha (ES), os recursos serão utilizados na ampliação de linhas de chocolates, bombons e produtos que combinam biscoito e chocolate.
Outro investimento de destaque está em Vargeão (SC), onde a Nestlé inaugurou uma nova fábrica destinada à produção de alimentos úmidos para cães e gatos.
O que motivou a reestruturação?
A empresa afirma que as mudanças fazem parte de uma estratégia para tornar suas operações mais simples e eficientes.
A Nestlé pretende reduzir despesas, elevar a produtividade, ampliar a automação e reorganizar processos internos. A companhia também busca concentrar recursos em áreas consideradas prioritárias para o crescimento dos negócios.
Apesar das mudanças anunciadas, não há indicação de interrupção generalizada na oferta dos produtos da Nestlé aos consumidores. Os cortes e fechamentos fazem parte da reorganização da estrutura global da empresa, enquanto determinados mercados, como o Brasil, seguem recebendo investimentos para expansão e modernização.



