A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro relatou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalhes sobre o estado de saúde do ex-presidente Jair Bolsonaro na tentativa de obter a concessão de prisão domiciliar humanitária.
O encontro ocorreu na manhã desta quinta-feira (15), em Brasília, horas antes de Moraes determinar a transferência de Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, no complexo conhecido como Papudinha.
Michelle procurou o ministro por avaliar que um relato pessoal sobre as condições de saúde do ex-presidente poderia ser mais eficaz do que os laudos médicos apresentados no processo. A reunião foi intermediada pelo deputado federal Altineu Côrtes (PL-RJ).

Durante a conversa, ela mencionou, entre outros pontos, que Bolsonaro sofre crises de soluço durante o sono, o que, segundo ela, aumenta o risco de broncoaspiração quando ele permanece sozinho à noite. Por isso, defendeu a necessidade de acompanhamento noturno constante, função que afirma exercer quando ele está em casa.
A ex-primeira-dama também atribuiu a uma reação a medicamentos o episódio em que Bolsonaro tentou romper a tornozeleira eletrônica, ocorrido em 22 de novembro, data em que Moraes decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
Aliados relataram que Moraes foi cordial durante o encontro e que Michelle saiu satisfeita com a conversa, embora siga defendendo a prisão domiciliar. No despacho que autorizou a transferência, o ministro determinou a realização de nova perícia médica em até dez dias para avaliar se o estado clínico de Bolsonaro é compatível com a permanência no sistema prisional ou se há necessidade de mudança no local de custódia.