A operação deflagrada pelas forças de segurança do Rio de Janeiro contra a facção criminosa Comando Vermelho (CV) já é considerada a mais letal da história do estado. Segundo balanço divulgado nesta terça-feira (28), ao menos 64 pessoas morreram durante os confrontos registrados em diferentes comunidades da capital e da Baixada Fluminense. Outras 81 foram presas e dezenas de armas de grosso calibre apreendidas.
A ação conjunta das polícias Civil, Militar e Federal teve início ainda na madrugada de segunda-feira (27) e mobilizou mais de 2,5 mil agentes. O objetivo, segundo a Secretaria de Segurança Pública, é desarticular o núcleo estratégico da facção, responsável pelo tráfico de drogas e armas em diversas regiões do estado. As operações se concentraram principalmente nos complexos do Alemão, da Penha e da Maré, na Zona Norte, além de áreas dominadas pelo CV na Baixada.
Os confrontos foram intensos, com relatos de barricadas, uso de drones por criminosos e bloqueio de vias de acesso às comunidades. Quatro policiais morreram durante as incursões, e dezenas de pessoas ficaram feridas, incluindo moradores atingidos por balas perdidas. A violência provocou o cancelamento de aulas em mais de 70 escolas e a suspensão de linhas de transporte público na região.
De acordo com as autoridades, a operação faz parte de uma ofensiva mais ampla para enfraquecer a estrutura financeira e armada da facção. Foram apreendidos fuzis, granadas, pistolas, coletes balísticos e grande quantidade de entorpecentes. O governador Cláudio Castro afirmou que o Estado “não vai recuar diante do crime organizado” e classificou a ação como “um marco no combate às organizações criminosas”.
Organizações de direitos humanos, no entanto, criticaram a operação e pediram investigação sobre o elevado número de mortes. Para a Defensoria Pública do Estado, a letalidade “indica falhas graves de planejamento e risco à população civil”. Já o Ministério Público do Rio informou que instaurou procedimento para apurar possíveis excessos.
Esta é a maior operação policial em número de mortos já registrada no Rio de Janeiro, superando a ação de Jacarezinho, em 2021, que resultou em 28 mortes. A nova ofensiva reacende o debate sobre o uso da força e o impacto das operações em áreas densamente povoadas.



