O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), afirmou nesta terça-feira (28) que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) negou três pedidos de apoio das Forças Armadas para operações de combate ao tráfico de drogas no estado. Segundo o governador, a ausência de suporte federal obrigou o Rio a deflagrar, com recursos próprios, a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte da capital fluminense, que já deixou mais de 60 mortos e 55 presos.
Castro disse que os pedidos encaminhados ao Ministério da Defesa envolviam o uso de blindados e outros equipamentos das Forças Armadas para reforçar as ações das polícias Civil e Militar. “Não foram pedidas desta vez porque já tivemos três negativas, então já entendemos a política de não ceder”, declarou. “O Rio está sozinho nessa guerra.”
Durante entrevista coletiva, o governador também criticou a ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, decisão do Supremo Tribunal Federal que restringe operações policiais em comunidades e impõe uma série de exigências para sua realização. “Essa ADPF maldita limita a ação das forças de segurança e coloca em risco os próprios policiais. Nós estamos enfrentando narcoterroristas, não cidadãos comuns”, afirmou.
Castro classificou a ofensiva como uma “operação de guerra”, planejada há mais de dois meses, com o objetivo de capturar cerca de 100 lideranças do Comando Vermelho responsáveis por ataques a forças de segurança e pelo controle do tráfico na região. Ele voltou a cobrar envolvimento direto da União e disse que o Estado “não pode combater sozinho um problema que é nacional”.
Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública negou que tenha recusado ajuda e afirmou que todos os pedidos formais do governo fluminense foram atendidos, incluindo o envio de efetivos da Força Nacional e o repasse de recursos para a segurança pública. O Planalto classificou as declarações de Castro como “injustas e politizadas” e ressaltou que não há planos para decretar Garantia da Lei e da Ordem (GLO) no Rio de Janeiro.
A operação, considerada a mais letal da história do estado, mobilizou mais de 5 mil agentes e segue em andamento. O Ministério Público e a Defensoria Pública acompanham as investigações sobre as circunstâncias das mortes e eventuais excessos cometidos durante as ações.



