O presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, para uma reunião neste domingo (13) a fim de definir as medidas que o Brasil adotará em resposta ao tarifaço anunciado pelos Estados Unidos. A previsão do governo é que o decreto com as medidas de retaliação seja publicado até terça-feira (15). As ações brasileiras terão como base a Lei de Reciprocidade aprovada pelo Congresso em abril, que permite ao país adotar medidas equivalentes às tarifas impostas por outras nações.
O tarifaço norte-americano, anunciado pelo ex-presidente Donald Trump, impõe uma taxa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto. Alckmin afirmou que o Brasil buscará manter o diálogo diplomático, mas que a reação será necessária diante da postura dos Estados Unidos. Ele também destacou que o país poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso as negociações não avancem.
Além do decreto, o governo irá instalar nos próximos dias um comitê interministerial com participação de representantes da Casa Civil, Relações Exteriores, Fazenda, Relações Institucionais e do setor produtivo para definir uma resposta coordenada. O Planalto considera a medida norte-americana um ato de retaliação política, especialmente diante da aproximação entre Trump e Jair Bolsonaro.
Alckmin ressaltou que os Estados Unidos mantêm um superávit comercial com o Brasil e que boa parte dos produtos americanos já entra no país com isenção de impostos, o que torna as tarifas impostas injustificáveis. O governo estuda não apenas a aplicação de tarifas equivalentes, mas também outras medidas, como a suspensão de concessões e restrições envolvendo propriedade intelectual.



