A Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) divulgou nota nesta quarta-feira (29) em resposta à matéria publicada pelo Portal RCA1 sobre a operação policial no Rio de Janeiro que deixou mais de 130 mortos. No texto, o governo federal reafirma que tem mantido cooperação constante com o Estado fluminense no enfrentamento ao crime organizado, por meio de ações conjuntas com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a Polícia Federal (PF), a Polícia Rodoviária Federal (PRF) e a Força Nacional de Segurança Pública (FNSP).
Segundo o comunicado, a Força Nacional atua no Rio de Janeiro desde outubro de 2023, conforme a Portaria MJSP nº 766, com vigência até dezembro de 2025 — prazo que pode ser prorrogado. Desde então, o ministério afirma ter atendido a todos os pedidos de apoio enviados pelo governo estadual, somando 11 solicitações de renovação da presença da FNSP, todas autorizadas.
Em relação às ações federais, a nota destaca que a Polícia Federal realizou 178 operações no estado somente em 2025, sendo 24 delas voltadas ao combate ao tráfico de drogas e armas. Essas operações resultaram em 210 prisões, das quais 60 relacionadas diretamente ao narcotráfico, além da apreensão de 10 toneladas de drogas e 190 armas de fogo, incluindo 17 fuzis.
Entre as principais ações, o governo cita a Operação Forja, que desarticulou uma fábrica clandestina com capacidade para produzir até 3.500 fuzis por ano para a facção Comando Vermelho; e as operações Buzz Bomb e Libertatis, que prenderam operadores de drones usados por facções criminosas. O ministério também coordena as operações conjuntas FICCO/RJ e Redentor, voltadas à repressão integrada ao crime organizado.
A Polícia Rodoviária Federal (PRF), segundo o governo, também mantém atuação permanente no estado desde 2023, com foco no combate a roubos de cargas e veículos nas rodovias federais. Entre janeiro de 2023 e outubro de 2025, a corporação recuperou mais de 3 mil veículos, apreendeu 29,5 toneladas de maconha, 3,9 toneladas de cocaína, 73 mil unidades de drogas sintéticas, 72 fuzis e 13.961 munições, além de deter 8.250 pessoas.
Recursos federais e cooperação institucional
O comunicado também rebate críticas sobre falta de apoio financeiro ao estado. De acordo com a Secom, o Rio de Janeiro recebeu mais de R$ 99 milhões do Fundo Penitenciário Nacional (Funpen) entre 2016 e 2024 — montante que, com rendimentos, ultrapassa R$ 143 milhões. Desse total, apenas R$ 39 milhões foram utilizados, restando R$ 104 milhões ainda disponíveis em conta.
Pelo Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP), o estado recebeu R$ 331 milhões desde 2019 (com rendimentos), dos quais R$ 157 milhões foram executados. Há, portanto, saldo superior a R$ 174 milhões ainda disponíveis. O governo federal também aponta doações de equipamentos como viaturas, drones, coletes e munições, totalizando cerca de R$ 10 milhões.
A Secom acrescenta que o MJSP tem implementado diversas iniciativas em parceria com o governo estadual, como a integração do Rio à Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim) e à Rede Nacional de Recuperação de Ativos de Facções Criminosas (Recupera).
Outros destaques são a criação da Célula Integrada de Localização e Captura de Foragidos, voltada à prisão de criminosos de outros estados que se refugiam em comunidades fluminenses, e do Comitê de Inteligência Financeira e Recuperação de Ativos (CIFRA), que atua na descapitalização das organizações criminosas. Segundo o governo, o CIFRA analisou 59 relatórios de inteligência financeira do Coaf, com operações suspeitas que somam mais de R$ 65 bilhões.
“Cooperação total entre União e Rio”
A nota recorda ainda que, em fevereiro deste ano, o governador Cláudio Castro se reuniu em Brasília com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Na ocasião, o governo federal atendeu a um pedido do estado e ofereceu dez vagas em presídios federais para abrigar lideranças criminosas do Rio de Janeiro.
“O compromisso é de cooperação total entre União e Estado. Estamos empenhados em combater o crime de forma cooperativa e integrada”, afirmou o ministro, segundo o comunicado.
Ao encerrar a nota, o governo federal reafirma seu “compromisso com o Estado do Rio de Janeiro, promovendo a segurança pública por meio do apoio integrado”, com o objetivo de fortalecer o combate ao crime organizado, reduzir índices de criminalidade e garantir maior sensação de segurança à população.



