Após dias de impasse, a greve dos servidores públicos de Araras chegou ao fim na manhã desta quinta-feira (19), em meio a negociações intensas, pressão judicial e risco de prejuízos financeiros à categoria. A paralisação, iniciada em 9 de março, mobilizou servidores e expôs uma série de insatisfações acumuladas ao longo dos últimos anos.
Clima de tensão marcou reta final
Na noite de quarta-feira (18), o cenário ainda era de incerteza. A categoria já havia rejeitado duas propostas de reajuste salarial e mantinha mobilizações, reivindicando a reposição de perdas salariais e criticando mudanças como o fim do adicional do Prêmio de Assiduidade e Disciplina, além de alterações no convênio médico.
Do lado da administração, o prefeito Irineu Maretto endureceu o discurso e condicionou a retomada das negociações ao restabelecimento dos serviços essenciais. Uma decisão judicial já determinava a manutenção de 70% do efetivo nessas áreas, o que, segundo a Prefeitura, não vinha sendo cumprido. Diante disso, a administração passou a executar a sentença, que previa multa diária de R$ 10 mil ao sindicato.
Reunião decisiva e acordo
A virada aconteceu nas primeiras horas desta quinta-feira (19), durante uma reunião que reuniu representantes do governo municipal e do sindicato. Participaram integrantes do alto escalão da Prefeitura, além da direção do Sindicato dos Servidores Públicos de Araras (Sindsepa) e representantes da federação estadual.
Na mesa de negociação, a principal divergência girava em torno do índice de reajuste. O sindicato defendia aumento de 8% já em 2026. A proposta final da Prefeitura ficou em 7,5%, divididos da seguinte forma:
- 5% a partir de março
- 1,25% em junho
- 1,25% em outubro
Também foi acordado vale-alimentação de R$ 500, com possibilidade de reajustes futuros conforme a arrecadação municipal.
Em ata assinada pelos participantes da reunião, ficou acordado que os servidores irão repor os dias parados.
Pressão pesou na decisão
Nos bastidores, pesou a possibilidade de agravamento da situação jurídica. A categoria poderia enfrentar multa diária que, acumulada, chegaria a valores elevados, além do risco de a greve ser considerada ilegal — o que abriria caminho para desconto dos dias parados nos salários.
Diante desse cenário, os representantes dos servidores optaram por aceitar a proposta e encerrar a paralisação. A proposta da Prefeitura foi apresentada em assembléia ainda na manhã desta quinta e aprovada pelos servidores.

Retorno ao trabalho e fim do processo
O Sindsepa oficializou o fim da greve por meio de ofício enviado ao Executivo, informando que todos os servidores retomam suas atividades a partir desta sexta-feira (20).
Já a Prefeitura comunicou ao Tribunal de Justiça de São Paulo a celebração do acordo coletivo e solicitou a extinção do processo judicial, após aprovação em assembleia da categoria.

Com o desfecho, encerra-se uma das paralisações mais marcantes recentes do funcionalismo municipal, deixando como saldo não apenas o reajuste negociado, mas também o alerta sobre o acúmulo de demandas históricas da categoria.
A Prefeitura de Araras informou que a rede municipal de educação retoma as atividades ainda nesta sexta-feira (20), mas a expectativa é que alguns serviços prejudicados com a paralização dos servidores, como a limpeza pública, ainda demorem pelo menos uma semana para serem normalizados.



