O governo dos Estados Unidos elevou o tom da crise diplomática com o Brasil ao anunciar, nesta terça-feira (4), a revogação do visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luisa Viotti. A medida foi apresentada como uma resposta à demora do governo brasileiro em autorizar oficialmente a posse de Daniel Perez como novo embaixador norte-americano em Brasília.
Segundo integrantes da administração do presidente Donald Trump, o visto da diplomata brasileira será restabelecido apenas quando o Palácio do Planalto conceder o chamado agrément, autorização formal exigida para que um embaixador estrangeiro possa exercer suas funções no país de destino.
Nos bastidores, o governo Lula sustenta que não há urgência para conceder o aval. Integrantes do Planalto argumentam que a Casa Branca rompeu o protocolo diplomático ao anunciar publicamente a indicação de Perez antes mesmo de consultar oficialmente o Brasil sobre sua aceitação.
Críticas ao governo Lula
O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, voltou a fazer duras críticas ao governo brasileiro. Após o anúncio de novas tarifas comerciais contra produtos do Brasil, ele afirmou que “o presidente Lula e seu governo não negociaram com os EUA de boa-fé”.
Rubio também declarou que “suas políticas econômicas são ruins para os americanos e ruins para os brasileiros” e acrescentou que “essas tarifas são o preço” pela postura adotada pelo governo brasileiro nas negociações.
O chefe da diplomacia americana já havia classificado anteriormente o Brasil entre os países considerados pouco amistosos em relação aos Estados Unidos.
Receio de interferência eleitoral
Outro fator que contribui para o impasse, segundo fontes do governo brasileiro, é a preocupação de que Daniel Perez possa exercer um papel político durante o período eleitoral. A indicação do diplomata já foi aprovada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado norte-americano e ainda depende de votação no plenário.
A tensão aumentou no fim de julho, quando o Departamento de Estado tentou enviar uma missão a Brasília para discutir temas como liberdade de expressão, integridade eleitoral e liberdade religiosa. O Planalto interpretou a iniciativa como uma possível tentativa de influência sobre as eleições presidenciais brasileiras.
Governo dos EUA rebate críticas
Em resposta às acusações, o Departamento de Estado afirmou que a visita fazia parte de uma agenda oficial previamente programada, com encontros previstos entre autoridades brasileiras, representantes religiosos e membros da sociedade civil.
Em nota, o governo Trump negou qualquer intenção de interferir no processo eleitoral brasileiro e declarou que “qualquer insinuação de que essa viagem seria uma ‘manobra’ para minar a eleição de uma nação democrática é uma mentira sem qualquer fundamento”.
O episódio amplia o desgaste nas relações entre Brasília e Washington, em meio a divergências diplomáticas e comerciais que vêm se intensificando nos últimos meses.


