Uma pesquisa internacional publicada na Nature Reviews Disease Primers reforça o alerta sobre os efeitos prolongados da Covid-19 no organismo. O levantamento identificou que a chamada Covid longa pode provocar ao menos 200 sintomas diferentes, muitos deles relacionados ao cérebro e à saúde mental.
Entre os principais sinais estão fadiga persistente, falta de ar, dificuldades cognitivas, distúrbios do sono, depressão e perda de memória. O estudo reúne especialistas de diferentes países e conta com a participação da neurologista Clarissa Yasuda, professora da Universidade Estadual de Campinas, única representante brasileira entre os autores.
Segundo a pesquisadora, os efeitos da condição vão além do esperado, inclusive em pacientes que tiveram formas leves da doença.
“Nós identificamos, mesmo nos indivíduos que não tinham tido sintomas ou a covid era muito leve, que eles apresentavam sintomas neurológicos e psicológicos, para nossa surpresa”, afirmou. Muita gente não conseguiu voltar a trabalhar com a mesma capacidade que tinha antes da infecção”.
O impacto também atinge diferentes faixas etárias. Entre crianças e adolescentes, por exemplo, os sintomas podem comprometer o aprendizado e a convivência social, ampliando os desafios no retorno à rotina.
Apesar dos avanços, ainda não há uma resposta definitiva sobre as causas exatas da Covid longa. De acordo com Clarissa Yasuda, diferentes mecanismos podem estar envolvidos.
“São várias descobertas que foram feitas nesses últimos anos e são diversos mecanismos. Há hipóteses de que o vírus possa reativar outros agentes que estavam latentes no organismo, como herpes ou Epstein-Barr”, explicou.
Sem tratamento específico ou exames capazes de diagnosticar a condição de forma direta, especialistas reforçam que a principal forma de prevenção continua sendo evitar a infecção. A vacinação, segundo os estudos, reduz o risco de զարգolver quadros prolongados, além de ajudar a prevenir reinfecções, cujos efeitos cumulativos ainda são pouco conhecidos pela ciência.



