06/03/2026
Destaque Saúde

Dois em cada dez hospitais erram na dosagem de antibióticos, aponta estudo da Sociedade Brasileira de Infectologia

Um levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) revelou que dois em cada dez hospitais públicos e privados no Brasil erram na dosagem de antibióticos prescrita a pacientes com infecções. O estudo, divulgado nesta terça-feira, avaliou 104 unidades hospitalares em diferentes regiões do país.

Segundo a pesquisa, cerca de 90% dos hospitais ajustam a dosagem de antibióticos de forma empírica — ou seja, por tentativa e erro, sem respaldo em exames específicos. De acordo com a coordenadora do comitê de resistência antimicrobiana da SBI, Ana Gales, essa prática contribui diretamente para o avanço da resistência antimicrobiana (RAM), quando bactérias passam a não responder ao tratamento com medicamentos.

O impacto econômico também é expressivo. Cada infecção provocada por microrganismos multirresistentes pode elevar em até R$ 80 mil os custos de internação de um paciente. O problema, entretanto, não se restringe apenas aos antibióticos. A prescrição inadequada também atinge antivirais, antifúngicos e antiparasitários, usados no combate a doenças como a giardíase, que causa diarreia e dores abdominais.

Entre os fatores que levam à prescrição incorreta está a pressa no atendimento hospitalar, muitas vezes sem a realização de testes laboratoriais. A SBI estima que cerca de 48 mil brasileiros morram anualmente em decorrência de infecções resistentes, número que pode alcançar 1,2 milhão de mortes até 2050 caso não haja mudanças.

Outro dado preocupante é que nenhum dos hospitais analisados segue as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o uso racional de antibióticos. Além disso, nenhuma das instituições possui protocolos de descarte ou análise de resíduos hospitalares, o que amplia o risco ambiental, já que medicamentos podem ser despejados em rios ou utilizados de forma indiscriminada em animais.

Para a SBI, combater a resistência antimicrobiana exige controle rigoroso desde a prescrição, garantindo a dosagem correta, até o descarte adequado dos medicamentos, reduzindo os riscos para pacientes e para o meio ambiente.

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