A Samsung apresentou neste domingo (4), durante a feira de tecnologia CES, em Las Vegas, o Galaxy Z TriFold, seu novo smartphone com tela dobrável em três partes. O aparelho se dobra em dois pontos, como um folheto, permitindo que uma tela de tamanho semelhante à de um iPad seja compactada para caber no bolso. O dispositivo já foi comercializado em quantidades limitadas na Coreia do Sul e deve ser lançado nos Estados Unidos em breve.
A proposta é ambiciosa, mas ainda enfrenta limitações típicas de tecnologias emergentes. Aberto, o Galaxy Z TriFold é surpreendentemente fino e funciona como um tablet; fechado, porém, torna-se mais espesso do que um smartphone tradicional. Outro fator que pode restringir a adoção é o preço elevado — ainda não divulgado oficialmente. Como referência, o Galaxy Z Fold 7, que possui tela menor e dobra apenas ao meio, custa a partir de US$ 2.000 (cerca de R$ 11 mil).
Mesmo que não se torne um sucesso de vendas, o lançamento tem um papel estratégico. Para especialistas do setor, o TriFold funciona como um teste de mercado para avaliar a aceitação desse novo formato. Por ser a maior fabricante de smartphones do mundo, a Samsung costuma influenciar toda a indústria, como já ocorreu com os celulares dobráveis em formato de livro, posteriormente adotados por outras marcas Android.

Tela grande e foco em produtividade
O Galaxy Z TriFold conta com uma tela de 10 polegadas, maior que as 8 polegadas do Galaxy Z Fold 7. A Samsung afirma que o aparelho é voltado principalmente para usuários que priorizam trabalho e produtividade. O dispositivo permite o uso de múltiplos aplicativos em tela dividida e oferece uma experiência próxima à de um computador, com janelas redimensionáveis e móveis. Quando conectado a teclado e mouse via Bluetooth, pode funcionar como alternativa a um mini-laptop.
As câmeras são semelhantes às do Galaxy S25 Ultra, modelo topo de linha da marca, o que evita perdas significativas na qualidade das fotos. Embora os dois vincos na tela sejam visíveis, eles tendem a passar despercebidos durante o uso.
Apesar das inovações, a Samsung ainda enfrenta o desafio de convencer o consumidor sobre a real necessidade de telas ainda maiores. Fora a possibilidade de visualizar mais aplicativos ao mesmo tempo e consumir conteúdo em uma superfície ampliada — algo que o Galaxy Z Fold já oferece —, o TriFold traz poucos diferenciais em relação aos smartphones dobráveis atuais.
O segmento, aliás, segue enfrentando resistência no mercado. Mesmo após anos de desenvolvimento, os celulares dobráveis ainda representam uma pequena fatia das vendas globais e costumam ter preços bem acima dos modelos tradicionais. Além disso, muitos consumidores só trocam de aparelho quando o antigo deixa de funcionar, o que torna a adoção de formatos mais caros e experimentais ainda mais lenta.




