A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), vinculada ao Ministério da Saúde, decidiu rejeitar a inclusão de medicamentos como Wegovy, Ozempic, Saxenda e similares na rede pública. A decisão foi tomada após análise técnica e consulta pública realizadas neste ano, com a justificativa de que o impacto financeiro seria insustentável para o orçamento do sistema.
Segundo estimativas da comissão, apenas o fornecimento da semaglutida, princípio ativo presente no Ozempic e no Wegovy, poderia custar entre R$ 3,4 bilhões e R$ 7 bilhões em cinco anos, dependendo da adesão dos pacientes. Para a liraglutida, utilizada na Saxenda, os cálculos variam de R$ 1,2 bilhão a R$ 2,5 bilhões no mesmo período. Além do custo elevado, a Conitec destacou a necessidade de acompanhamento multiprofissional durante o tratamento e as incertezas sobre o tempo de uso contínuo dessas drogas.
Durante a análise, pacientes, médicos e representantes da sociedade participaram de consulta pública, mas o parecer final manteve a posição contrária à incorporação. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, chegou a admitir que os medicamentos poderiam ser avaliados novamente caso houvesse comprovação científica mais robusta e redução de custos.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) firmou um acordo com a farmacêutica EMS para desenvolver versões nacionais da semaglutida e da liraglutida, o que poderia diminuir os preços e reabrir a discussão no futuro. Atualmente, a Saxenda já é utilizada em programas estaduais no Distrito Federal, em Goiás e no Espírito Santo, enquanto a prefeitura do Rio de Janeiro prevê iniciar a oferta de semaglutida em 2026 com recursos próprios.
Com a decisão da Conitec, o Sistema Único de Saúde seguirá sem disponibilizar esses medicamentos em nível nacional, mantendo como principal alternativa para casos graves a cirurgia bariátrica, já ofertada em hospitais públicos.



