06/03/2026
Destaque Polícia

Caso Bruna Angleri: pena de João Victor Malachias pode ser aumentada após recurso do Ministério Público

Condenado a 35 anos e 10 meses de prisão pelo assassinato da dentista Bruna Angleri, de 40 anos, o cantor sertanejo João Victor Malachias ainda pode ter sua pena ampliada. O Ministério Público recorreu da sentença com o objetivo de endurecer as penas aplicadas nos três crimes reconhecidos pelo júri popular. O julgamento ocorreu no dia 16 de julho no Fórum de Araras (SP).

De acordo com o andamento processual, o recurso do MP já foi protocolado com as respectivas razões. A defesa do réu também recorreu e já apresentou seus argumentos. Neste momento, os autos estão com vistas abertas para que o Ministério Público apresente a contrarrazão à apelação da defesa.

Malachias foi condenado por feminicídio qualificado — por motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima —, além dos crimes de violência doméstica, descumprimento de medida protetiva, furto e destruição de cadáver. O júri foi presidido pelo juiz Djalma Moreira Gomes Júnior, da Primeira Vara Criminal, e teve na acusação o promotor de Justiça Dr. Cassiano Gil Zancolli e o advogado Daniel Salviatto. A defesa foi representada pelo advogado Diego Emanuel da Costa, que afirmou que “as provas acostadas nos autos são frágeis”.

Crime e julgamento

Bruna foi assassinada com um tiro de escopeta calibre 36 no rosto, dentro de sua casa, em um condomínio de alto padrão em Araras, em 27 de setembro de 2023. O corpo foi parcialmente carbonizado. Durante o julgamento, o delegado Tabajara Zuliani dos Santos confirmou a arma utilizada e detalhou o andamento das investigações.

Durante o julgamento, Malachias apresentou versões que foram consideradas desconexas com as provas. Alegou ter sido sequestrado no dia do crime por uma quadrilha, mantido preso no porta-malas de um veículo enquanto os criminosos teriam cometido o assassinato, e que seu celular foi roubado e, depois, devolvido a ele. Também tentou atribuir a autoria a um terceiro, que teria ligação com o caso, mas que cometeu suicídio em 2023.

Investigações e prisão

As investigações, no entanto, apontaram que o celular de João Victor se conectou ao Wi-Fi da residência da vítima no dia do crime. Já o aparelho de Bruna, que foi furtado, emitiu sinal 3G em uma torre de telefonia próxima ao local onde o réu ficou escondido. A perícia também confirmou que Malachias apresentava arranhões no peito compatíveis com luta corporal, e que o DNA encontrado nas unhas de Bruna era masculino, indicando que ela tentou se defender.

Dez dias após o crime, a Justiça expediu mandado de prisão. O cantor fugiu pela Rodovia Anhanguera e percorreu cerca de 23 km por canaviais na região de Ribeirão Preto. Foi capturado em um posto de combustível entre Ribeirão Preto e Cravinhos, quando tentava fugir para o estado de Goiás. Apesar da fuga, foi encontrado com roupas limpas, o que levantou suspeita de que tenha recebido ajuda.

João Victor está preso desde outubro de 2023. Seu julgamento foi acompanhado por forte comoção e protestos em frente ao Fórum de Araras.

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