Ainda fervilha a discussão no congresso nacional sobre o fim da jornada 6×1. As pressões de governo e partidos políticos para isso está nos levando a um caminho sem volta, onde teremos mais problemas do que soluções. Os objetivos, num primeiro momento, são nobre e muito importantes: dar ao trabalhador o tempo para descanso, lazer e família, visando seu bem estar e saúde.
Muito bem. Acontece que vivemos num país em que existem mais de duas mil e quatrocentas ocupações laborais diferentes, sendo que a mudança de jornada que querem impor goela abaixo, de cima para baixo, abrangeria ´todo´ o país… Estranho né. Não só estranho como inconsequente a medida, se aprovada for. Isso porque estarão enquadrando todas as atividades laborais em uma única regra de jornada.
Há que se lembrar que o mundo laboral é muito amplo, vasto, e bem maior que uma legislação imposta, seja ela através da Constituição Federal ou lei ordinária, queira imputar a todo um país. Nossa consolidação das leis do trabalho já é composta de um cabedal de artigos que disciplina as relações de emprego, em quase mil artigos. Imagina vir de cima uma alteração da constituição no tocante a pretendida extinção da jornada hoje vigente de quarenta e quatro horas semanais, para quarenta, mantendo-se salário, e tornando obrigatório para todos.
Impensável será a consequência disso. Impensável também (e reprovável) o discurso político usado pelo governo, em pleno ano eleitoral, ´vendendo´ uma ilusão que não se sustenta frente à imensa diversidade de ocupações existentes, cada qual com suas peculiaridades diferentes! Ao invés de fomentar a discussão, chamando à mesa sindicatos, federações, confederações de trabalhadores, partidos políticos, o governo e grande parte da classe política está aproveitando o dividendo político-eleitoral do ano que estamos, para vender algo que não será entregue ao povo.
Esse empobrecimento da discussão sobre o tema – que é de suma importância a todos nós – faz mostrar que nossos políticos são inimigos da classe trabalhadora, e não aliados. O que tem dominado o assunto é meramente o ganho político, o lucro do voto da classe política sobre o trabalhador brasileiro, mais uma vez enganado por um discurso mentiroso e nada rico em resultado.
O que se nota desse projeto, é um trunfo político na mão de alguns com fins eminentemente eleitoreiros, baseado na demagogia, desprezando critérios técnicos e práticos do cotidiano do trabalhador. Falta, mais uma vez, bom senso do governo e da classe política, em fomentar e convidar à mesa, órgãos e entidades representativas tanto da classe trabalhadora quanto da área produtiva que toca a economia do país, para se discutir com clareza um tema de tanta importância e que trará consequências bem profundas a tudo e a todos.
Sem critérios técnicos e participação ativa de segmentos diversos da sociedade nas decisões desse tema, estaremos levando o nada ao lugar algum.



