As apostas esportivas e jogos online continuam exercendo forte impacto sobre o orçamento das famílias brasileiras. Um levantamento divulgado nesta quinta-feira (6) pelo Comitê Nacional de Secretários de Fazenda (Comsefaz), com base em informações do Banco Central, revela que os brasileiros registraram uma perda líquida de R$ 62,5 bilhões em apostas entre outubro de 2024 e março de 2025.
O valor representa a diferença entre o dinheiro enviado às plataformas de apostas e o montante devolvido aos jogadores em forma de prêmios. Na prática, isso significa uma perda média de R$ 4,7 bilhões por mês.
O estudo aponta ainda que esse volume corresponde a cerca de 0,68% da Renda Nacional Disponível Bruta das Famílias, evidenciando o peso das apostas sobre as finanças dos brasileiros.
Ao mesmo tempo, o mercado das bets movimentou cifras ainda mais expressivas. Apenas em 2024, as transferências realizadas via Pix para empresas do setor somaram aproximadamente R$ 351 bilhões, demonstrando o crescimento acelerado desse segmento após sua regulamentação.
Regulamentação mudou comportamento das transações
O boletim também analisou a evolução dos pagamentos via Pix desde a entrada em vigor da regulamentação das apostas esportivas, em janeiro de 2024. Segundo o levantamento, houve uma mudança significativa nas transferências destinadas ao segmento classificado como artes, cultura, esporte e recreação, categoria onde as plataformas de apostas estão inseridas.
Para os especialistas, os números reforçam o impacto econômico das bets sobre o consumo e a renda das famílias brasileiras.
Críticas ao combate ao vício em apostas
Outro ponto destacado pelo estudo envolve a proteção aos jogadores compulsivos. A legislação determina que as empresas de apostas adotem mecanismos para identificar usuários com comportamento compulsivo e restrinjam seu acesso às plataformas.
Na avaliação do advogado Júlio Leone, porém, essa determinação não estaria sendo cumprida de forma efetiva.
“Quando é detectado que a pessoa tem a ludopatia, que ela é viciada, que ela compulsiva na questão da aposta, o algoritmo deveria travar a conta dela. Mas ele faz o contrário: ele manda mais bônus, ele manda mais vouchers, ele manda mais incentivo para o cara apostar. E é aí que ele perde todo o capital.”
Restrição ao Bolsa Família reduziu movimentação
O levantamento também observou uma desaceleração nas transações financeiras destinadas às casas de apostas após a proibição de apostas por beneficiários do Bolsa Família, medida adotada em outubro do ano passado.
De acordo com o Comsefaz, a redução no volume de transferências indica que a restrição teve efeitos concretos e sugere que famílias de menor renda representavam uma parcela relevante do mercado de apostas no país.



