06/03/2026
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Banco Central aumenta os juros pela sétima vez e Selic vai a 15% ao ano, maior nível em duas décadas

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou, nesta quarta-feira (18), a taxa básica de juros da economia brasileira para 15% ao ano, o maior patamar registrado desde 2006. A decisão foi unânime entre os membros do colegiado e marca a sétima alta consecutiva desde o início do ciclo de aperto monetário, em setembro do ano passado.

De acordo com o comunicado divulgado pelo Banco Central, a elevação visa conter a inflação, que segue acima da meta, e enfrentar um cenário de expectativas desancoradas. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 12 meses até maio foi de 5,32%, acima do teto da meta fixada pelo Conselho Monetário Nacional, que é de 4,5% para 2025.

“O ambiente inflacionário se mantém desafiador, exigindo uma postura firme de política monetária”, afirmou o Copom no texto oficial. Ainda segundo o comitê, a autoridade monetária optará por uma “pausa prolongada” nas próximas reuniões, avaliando os impactos das altas já implementadas antes de decidir por novos ajustes.

Impactos econômicos

Com a Selic em 15%, o crédito ao consumidor e às empresas tende a encarecer ainda mais, afetando o consumo, os investimentos e o crescimento econômico no curto prazo. Por outro lado, aplicações de renda fixa passam a oferecer maior rentabilidade, o que pode atrair investidores, inclusive estrangeiros, e valorizar o real frente ao dólar.

Economistas consultados pelo mercado financeiro já preveem que a taxa deve permanecer em níveis elevados pelo menos até o início de 2026. “O Banco Central está sinalizando que o combate à inflação será prioritário, mesmo diante do custo econômico que isso representa”, avaliou em nota o economista-chefe de uma consultoria financeira de São Paulo.

Próximos passos

A próxima reunião do Copom está agendada para os dias 30 e 31 de julho. Até lá, o Banco Central continuará acompanhando a evolução da inflação, o desempenho da economia e o cenário externo, especialmente a política monetária dos Estados Unidos, que também influencia as decisões internas.

O Brasil volta, assim, a conviver com um patamar de juros que não era registrado há quase 20 anos, num momento em que o desafio principal do governo federal será conciliar a estabilidade de preços com a necessidade de retomar o crescimento econômico.

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