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Após rejeitar projeto em 2025, vereadores aprovam mudança no Araprev em sessão extraordinária

Depois de barrar uma proposta semelhante no fim do ano passado, a Câmara Municipal de Araras aprovou, em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira (27), um novo projeto que altera a forma de financiamento e a organização do regime previdenciário dos servidores municipais, o Araprev (Instituto de Previdência Social dos funcionários públicos do Município de Araras).

O texto aprovado – Projeto de Lei Complementar nº 1/2026 – trata da revisão da segregação de massas dos segurados e autoriza o município a realizar aportes financeiros para cobrir o déficit atuarial do instituto. A proposta substitui, na prática, o PLC nº 16/2025, rejeitado pelos vereadores em 31 de outubro de 2025.

O placar da votação foi oito votos favoráveis e dois votos contrários. Veja abaixo.

PLC 16/2025 | Reprovado em 31/10/2025 PLC nº 1/2026 | Aprovado em 27/01/2026
Rodrigo Soares (MDB) contrário Fábio Domingues (Republicanos) favorável
Fábio Domingues (Republicanos) contrário Lúcio Casa Bela (PODE) favorável
Lúcio Casa Bela (PODE) contrário Bonezinho Corrochel (PP) favorável
Bonezinho Corrochel (PP) contrário Rosa Scanavini (PRD) favorável
Rosa Scanavini (PRD) contrário Ana Júlia Casagrande (PSD) favorável
Ana Júlia Casagrande (PSD)  contrário Miqueira (PSD) favorável
Marluce de Goes (PL) contrário Derci Tófolo (PSD) favorável
Mirian Vanessa Pires Franzini (PSD) favorável Dr. Donizete (PP) favorável
Derci Tófolo (PSD) favorável Marluce de Goes (PL) contrário
Dr. Donizete (PP) favorável Gustavo Brambilla (PSD) contrário
Gustavo Brambilla (PSD) ausência justificada


Projetos com o mesmo núcleo

Embora numerados e protocolados em anos diferentes, os dois projetos têm o mesmo objetivo central: reorganizar os segurados do Araprev em dois grupos (fundo financeiro e fundo previdenciário) e permitir que a Prefeitura injete recursos para garantir o equilíbrio das contas.

O projeto de 2026 mantém os mesmos critérios principais de separação dos servidores, utilizando como data-base o estudo atuarial de 30 de junho de 2025, além de preservar a criação dos dois fundos previdenciários e a autorização para aportes anuais por mais de três décadas.

O que mudou de uma versão para outra

O texto aprovado neste ano, no entanto, chegou à Câmara com uma fundamentação jurídica mais robusta. A versão de 2026 passou a citar expressamente normas do Ministério da Previdência, detalhou a legalidade do uso de recursos do Tesouro Municipal para cobrir insuficiências técnicas e incluiu a obrigação de realização de novos cálculos atuariais periódicos.

Além disso, o novo projeto foi acompanhado por documentação interna do próprio Araprev, incluindo ata de reunião do Conselho Administrativo do instituto que discutiu a proposta ainda em outubro de 2025.

Bastidores

Entre a rejeição do projeto em 2025 e a aprovação neste início de ano, houve intensa articulação política.

De acordo com informações obtidas pela reportagem do RCA1, o prefeito de Araras, Irineu Norival Maretto, promoveu reuniões individuais com todos os vereadores nas semanas que antecederam a votação de janeiro, apresentando novamente os dados atuariais do Araprev e defendendo a necessidade urgente da mudança para evitar o crescimento do déficit previdenciário.

A estratégia contrasta com o cenário de 2025, quando o projeto foi derrotado em plenário em meio a críticas sobre falta de debate, dúvidas quanto ao impacto financeiro e receio de que os aportes comprometesse o orçamento municipal.

Maretto teria também exigido lealdade da bancada governista para a aprovação do projeto.

Mudança de postura

A rápida reversão de posição levanta questionamentos sobre o processo decisório do Legislativo.

Em pouco menos de três meses, a Câmara passou de uma rejeição total para a aprovação de um texto que, apesar de ajustes técnicos, mantém o mesmo conteúdo estrutural: reorganização do sistema previdenciário e autorização para transferências milionárias ao instituto ao longo dos próximos anos, conforme tabela de aportes prevista no anexo do projeto.

Para servidores e especialistas em contas públicas, a mudança reforça o peso das negociações políticas e evidencia a sensibilidade do tema previdenciário, que envolve tanto a segurança futura dos funcionários municipais quanto o equilíbrio fiscal da Prefeitura.

Impacto direto

Com a aprovação do PLC 1/2026, o município fica autorizado a realizar aportes financeiros regulares ao Araprev e a aplicar oficialmente a nova segregação de massas, medida que a Prefeitura afirma ser essencial para manter a sustentabilidade do regime próprio de previdência.

Já para parte da população e do funcionalismo, permanece a dúvida: se o projeto era inadequado em 2025, o que mudou de forma substancial para se tornar aceitável em 2026?

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