06/03/2026
Brasil Saúde

Anvisa aprova injeção semestral para prevenção do HIV no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do lenacapivir injetável para a prevenção do HIV no Brasil. O medicamento passa a ser uma nova opção de profilaxia pré-exposição (PrEP), com aplicação de longa duração, ampliando as estratégias de prevenção já disponíveis no país.

Segundo a Anvisa, o lenacapivir é indicado para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que apresentem risco de infecção pelo HIV. Antes do início do uso, é obrigatório que o paciente tenha resultado negativo para o vírus.

A aprovação acompanha as diretrizes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2025, que recomendam o uso do medicamento duas vezes ao ano como alternativa adicional à PrEP oral. Para a entidade, o lenacapivir representa a opção mais eficaz de prevenção disponível atualmente, atrás apenas de uma eventual vacina.

“Embora ainda não tenhamos uma vacina contra o HIV, o lenacapivir é a melhor alternativa: um antirretroviral de longa ação que, em estudos clínicos, preveniu quase todas as infecções entre pessoas em risco”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A recomendação surge em um momento considerado crítico pela OMS, diante da estagnação dos esforços globais de prevenção. Em 2024, cerca de 1,3 milhão de novas infecções por HIV foram registradas no mundo. Além do medicamento injetável, a organização também passou a incentivar o uso de testes rápidos para diagnóstico, com o objetivo de ampliar o acesso e reduzir custos.

Eficácia comprovada em estudos

Dados apresentados na 25ª Conferência Internacional sobre Aids, realizada em 2024 em Munique, e publicados no New England Journal of Medicine (NEJM), apontam eficácia geral de 100% do lenacapivir na prevenção do HIV-1 — responsável pela maioria das infecções no mundo.

Um dos estudos acompanhou mais de 2 mil mulheres cisgênero em Uganda e na África do Sul. Nenhuma das 2.134 participantes que receberam o medicamento contraiu o vírus. O resultado foi tão expressivo que o ensaio clínico foi interrompido antes do prazo previsto, por superar os critérios de eficácia estabelecidos.

Em outra pesquisa, também de 2024, envolvendo 3.265 pessoas de diferentes gêneros, apenas dois participantes que utilizaram o medicamento foram infectados pelo HIV.

Em comparação, 1,5% das mulheres que usaram a combinação tradicional da PrEP oral (entritabina e tenofovir) contraíram o vírus, assim como 1,8% das que utilizaram outro comprimido diário, comercializado como Descovy.

Para especialistas, os resultados representam um avanço histórico. “Esse é o melhor resultado que já tivemos em prevenção. É um estudo sem precedentes”, afirmou o infectologista Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que participa de testes do medicamento no Brasil.

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