A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) realizou, na manhã desta terça-feira (4), a Operação Rede Interrompida, que tem como foco um grupo investigado por suspeita de organizar ações violentas em Brasília durante o período das eleições de 2026.
Ao todo, oito pessoas, com idades entre 19 e 31 anos, são alvo de medidas cautelares cumpridas nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Pernambuco e Rio Grande do Sul. A investigação é conduzida pela Divisão de Prevenção e Combate ao Extremismo Violento (DPCev), ligada ao Departamento de Inteligência da PCDF, com apoio das polícias civis dos estados envolvidos.
As apurações tiveram início após a Polícia Civil receber um relatório técnico produzido pelo Ciberlab, laboratório vinculado à Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A partir desse material, os investigadores passaram a monitorar comunicações atribuídas aos suspeitos.
Segundo a corporação, as conversas indicavam a intenção de promover uma mobilização em Brasília durante o processo eleitoral. Entre os conteúdos analisados estavam debates sobre possíveis invasões de prédios públicos, definição de alvos, recrutamento de participantes em diferentes estados, estratégias de atuação e compartilhamento de mapas, plantas arquitetônicas e modelos em três dimensões de edifícios localizados na área central da capital federal.
A investigação também identificou a circulação de manuais com orientações para a fabricação de artefatos explosivos. Diante dessas informações, a Justiça autorizou o cumprimento das medidas cautelares para preservar provas e aprofundar as investigações.
Durante a operação, os policiais buscam apreender celulares, computadores e outros dispositivos eletrônicos, além de coletar evidências que possam esclarecer o nível de organização do grupo e identificar possíveis envolvidos ainda não mapeados.
Até o momento, os investigados são apurados, em tese, pelos crimes de associação criminosa, incitação ao crime, apologia ao crime ou criminoso e infrações previstas na legislação antirracismo. A PCDF destacou que, por enquanto, os fatos não foram enquadrados na Lei de Terrorismo.
A polícia informou ainda que a eventual responsabilização de cada investigado dependerá da análise do material apreendido e da conclusão do inquérito, que permanece sob sigilo.



