08/06/2026
Brasil Saúde

Ministério da Saúde suspende vacinação contra dengue após mortes suspeitas

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada após o registro de eventos adversos graves, incluindo duas mortes que ainda estão sob investigação.

O anúncio foi feito durante coletiva de imprensa com representantes da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Butantan. Segundo o governo federal, cerca de 500 mil doses já foram aplicadas desde o início da campanha de imunização, iniciada neste ano com foco em profissionais da saúde.

De acordo com o Ministério da Saúde, foram identificados 42 casos de reações severas possivelmente associadas à vacina. O número representa uma pequena parcela do total de vacinados, mas chamou a atenção das autoridades por envolver sintomas considerados incomuns em relação aos estudos clínicos realizados antes da aprovação do imunizante.

A vacina do Butantan é considerada histórica por ser a primeira contra a dengue produzida integralmente no Brasil e também a primeira do mundo aplicada em dose única.

Investigação dos casos

A suspensão vale em todo o país enquanto os casos são analisados por equipes técnicas do Ministério da Saúde, da Anvisa e do próprio Instituto Butantan. Estados e municípios foram orientados a interromper imediatamente a aplicação das doses e intensificar a busca ativa por possíveis reações adversas.

Segundo o diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), Eder Gatti, os eventos graves registrados não haviam sido identificados durante os testes clínicos conduzidos antes da liberação da vacina.

Nos estudos anteriores, aproximadamente 16 mil pessoas foram acompanhadas durante cinco anos. A pesquisa teve reconhecimento internacional e os resultados foram publicados na revista científica Nature.

Mortes suspeitas investigadas

  • Uma mulher de 48 anos apresentou sintomas graves de dengue 19 dias após receber a vacina. O quadro evoluiu com comprometimento neurológico, incluindo meningoencefalite, e ela morreu.
  • O segundo caso envolve um homem de 58 anos que começou a apresentar febre cinco dias após a vacinação. Segundo o Ministério da Saúde, ele evoluiu rapidamente para um quadro de dengue grave com choque refratário e também morreu.
  • Um terceiro caso grave, sem óbito, foi registrado em uma mulher de 39 anos. Ela apresentou febre, dores musculares e náuseas poucos dias após a aplicação da dose, precisou ser internada em UTI, mas conseguiu se recuperar.

Monitoramento de vacinados

O governo federal orienta que pessoas vacinadas nos últimos 21 dias fiquem atentas ao aparecimento de sintomas e mantenham acompanhamento junto às secretarias municipais de saúde.

Os principais sinais de alerta são:

  • Febre
  • Dor abdominal intensa e contínua
  • Vômitos persistentes
  • Tontura
  • Sangramentos
  • Sonolência excessiva
  • Irritabilidade
  • Sinais de desidratação
  • Piora do estado geral

Entre janeiro e 30 de maio de 2026, foram registradas 3.703 notificações de sintomas inesperados semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Desses casos, 42 apresentaram sinais de alarme, classificados como eventos raros.

Butantan defende segurança da vacina

Durante a coletiva, o diretor do Instituto Butantan, o infectologista Esper Kallás, afirmou que há expectativa de que novas análises comprovem a segurança do imunizante e permitam a retomada da campanha.

“A gente vai trabalhar nesse sentido com a esperança de que nós vamos conseguir dados suficientes, evidências suficientes para mostrar que a vacina tem benefício para a saúde pública brasileira e pode ser retomada”, declarou.

O Ministério da Saúde reforçou que a suspensão é preventiva e não representa o cancelamento definitivo da vacina. Segundo as autoridades, os dados disponíveis continuam apontando proteção contra os quatro sorotipos da dengue.

A Anvisa informou que irá convocar um comitê de especialistas para aprofundar a investigação epidemiológica dos casos e avaliar se existe relação direta entre a vacinação e os eventos registrados.

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