A Câmara Municipal de Araras aprovou por unanimidade na noite desta segunda-feira (23), em sessão extraordinária, o Projeto de Lei Complementar nº 2/2026 que adia novamente a extinção do Serviço Municipal de Transportes Coletivos de Araras (TCA). A nova data para o encerramento da autarquia e criação da Secretaria Municipal de Transportes Públicos passa a ser 1º de agosto de 2026.
Esta é a segunda prorrogação do prazo, o que tem provocado críticas sobre a condução do processo pela administração do prefeito Irineu Maretto.
Cronograma mudou duas vezes
Inicialmente, a lei aprovada em dezembro de 2025 determinava que o TCA seria extinto em 1º de janeiro de 2026, quando a nova Secretaria Municipal de Transportes Públicos assumiria a gestão do sistema.
Ainda naquele mês, um novo projeto foi aprovado adiando a mudança para 1º de março de 2026, sob a justificativa de que seria necessário mais tempo para ajustes administrativos, orçamentários e operacionais.
Agora, com a aprovação do novo projeto complementar, o prazo foi ampliado mais uma vez — desta vez por cinco meses — estendendo a transição até agosto.

Falta de planejamento
A sequência de adiamentos tem sido interpretada por críticos como sinal de falta de planejamento e improviso na reorganização do transporte coletivo municipal. A criação da nova secretaria foi apresentada como uma solução para modernizar a gestão e melhorar a eficiência do sistema, mas o cronograma instável tem gerado insegurança.
Na prática, a autarquia continua operando normalmente, sem que a população tenha clareza sobre como funcionará o novo modelo de transporte, quais serão os custos e quais mudanças efetivas devem ocorrer no serviço.
Mudanças ainda indefinidas
Apesar da aprovação da nova prorrogação, ainda não foram detalhados pontos importantes, como:
- estrutura administrativa da nova secretaria
- quadro de funcionários
- custos da transição
- modelo de operação do transporte coletivo
- possíveis mudanças nas linhas e tarifas
Sem essas definições, o processo de extinção do TCA segue cercado de incertezas.
Transição arrastada
O novo adiamento reforça a percepção de que a mudança, anunciada como prioridade pela administração municipal, ainda não saiu do papel.
Enquanto isso, usuários do transporte coletivo continuam enfrentando problemas antigos, como horários reduzidos e reclamações sobre a qualidade do serviço, sem perspectiva clara de quando — ou se — a prometida reformulação será concluída.
Com a nova decisão, a prefeitura terá agora mais cinco meses para estruturar a Secretaria Municipal de Transportes Públicos — prazo que muitos já consideram a última oportunidade para evitar um terceiro adiamento.



