06/03/2026
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Caso Orelha: Polícia Civil conclui investigação e pede internação de adolescente

Caso Orelha: Polícia Civil conclui investigação e pede internação de adolescente

A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu, nesta terça-feira (3), a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha e informou que solicitou à Justiça a internação de um adolescente apontado como autor do ataque. No caso do cachorro Caramelo, a corporação representou quatro adolescentes por maus-tratos.

As apurações foram conduzidas pela Delegacia Especializada no Atendimento de Adolescentes em Conflito com a Lei (DEACLE) e pela Delegacia de Proteção Animal (DPA), ambas da Capital, com apoio de uma força-tarefa que reuniu diferentes órgãos de segurança pública do Estado. Os procedimentos foram encaminhados ao Ministério Público e ao Judiciário para análise.

Segundo a polícia, a extração e a análise de dados de celulares apreendidos continuam em andamento e podem reforçar provas já reunidas ou trazer novas informações relevantes para os casos.

Em nota, a defesa do adolescente afirmou que ele foi indevidamente associado à morte do cão Orelha e sustentou que as informações divulgadas até o momento seriam elementos circunstanciais, que não configurariam prova suficiente para conclusões definitivas. Os advogados também declararam que atuam de forma técnica e responsável, orientados pela busca da verdade, e criticaram o que classificaram como politização do caso, afirmando que a pressão por apontar um culpado a qualquer custo tem inflamado a opinião pública.

 

O caso Orelha

O cão comunitário Orelha foi atacado na madrugada de 4 de janeiro, por volta das 5h30, na Praia Brava, no Norte da Ilha. De acordo com laudos da Polícia Científica, o animal sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido causada por um chute ou por um objeto rígido, como um pedaço de madeira ou uma garrafa.

No dia seguinte ao ataque, Orelha foi resgatado por populares, mas não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária.

Para chegar à autoria do crime, a Polícia Civil analisou mais de mil horas de imagens captadas por 14 equipamentos de monitoramento na região. Ao todo, 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados. A apuração reuniu ainda provas como as roupas utilizadas pelo autor, registradas em imagens, além do uso de um software estrangeiro para análise de localização durante o período do ataque.

De acordo com a polícia, o adolescente apontado como autor deixou o condomínio onde estava hospedado às 5h25 e retornou às 5h58 acompanhado de uma amiga. O deslocamento foi considerado contraditório em relação ao depoimento prestado, no qual ele afirmou ter permanecido no condomínio, na área da piscina, e disse desconhecer a existência de imagens que o mostravam saindo do local. Registros visuais, testemunhos e outros elementos indicaram que ele esteve fora do condomínio no horário do crime.

Ainda conforme a investigação, o adolescente viajou para fora do Brasil no mesmo dia em que a Polícia Civil identificou os suspeitos, permanecendo no exterior até 29 de janeiro. No retorno ao país, ele foi interceptado no aeroporto.

Durante a abordagem, um familiar teria tentado esconder um boné rosa e um moletom que estavam com o adolescente, peças consideradas relevantes para a investigação. Inicialmente, o familiar alegou que o moletom havia sido comprado na viagem, mas o adolescente admitiu que já possuía a peça anteriormente e que ela foi usada no dia do crime.

A Polícia Civil informou que adotou cuidados para evitar vazamentos durante a investigação, uma vez que o adolescente estava fora do país e poderia fugir ou descartar provas importantes, como o celular.

O inquérito foi concluído após o depoimento do adolescente prestado nesta semana. Diante da gravidade do caso, a Polícia Civil solicitou à Justiça a internação do investigado, medida equivalente à prisão no sistema adulto. Além disso, três adultos foram indiciados por coação a testemunha no âmbito do caso Orelha.

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