Um transbordamento registrado na madrugada deste domingo (25) em uma área de mineração da Vale provocou o avanço de lama entre os municípios de Ouro Preto e Congonhas, na região central de Minas Gerais. O material alcançou instalações administrativas da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), mas, até o momento, não há registro de feridos.
De acordo com a mineradora, o episódio ocorreu em uma cava da mina de Fábrica, localizada em Ouro Preto, e envolveu água misturada a sedimentos. A empresa informou que o fluxo ficou restrito a áreas operacionais e não atingiu comunidades vizinhas.
Em nota, a Vale ressaltou que o incidente não está relacionado a barragens e garantiu que todas as estruturas do tipo na região seguem estáveis e sob monitoramento permanente.
Força-tarefa estadual acompanha o caso
O Governo de Minas Gerais informou que acionou equipes da Defesa Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar e Secretaria de Meio Ambiente para acompanhar a situação e avaliar possíveis danos ambientais.
Já a CSN e as prefeituras de Ouro Preto e Congonhas foram procuradas pela reportagem, mas não se manifestaram até a publicação desta matéria.
Lama alcançou córrego que abastece rio
Em vídeo divulgado nas redes sociais, o prefeito de Congonhas, Anderson Cabido (PSB), afirmou que o volume liberado ultrapassou 200 mil metros cúbicos e arrastou resíduos minerais ao longo do percurso, atingindo o córrego Goiabeiras, que contribui para o abastecimento do rio Maranhão.
Segundo o prefeito, apesar de a estrutura estar localizada em Ouro Preto, os principais impactos foram sentidos em Congonhas. Ele declarou que o município irá apurar as causas do ocorrido e buscar a responsabilização pelos prejuízos ambientais.
Abastecimento afetado, diz movimento social
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) informou que o episódio causou interrupções no fornecimento de água e em atividades produtivas na região atingida. Representantes da entidade estão no local para acompanhar a situação e prestar apoio a moradores e trabalhadores.
Episódio reacende lembranças de Brumadinho
O transbordamento ocorre exatamente sete anos após o rompimento da barragem em Brumadinho, que deixou 272 mortos em janeiro de 2019 e é considerado um dos maiores desastres ambientais do país.
Estudos recentes indicam que a contaminação do solo na bacia do rio Paraopeba ainda compromete a recuperação da vegetação local e que rejeitos do desastre se espalharam por milhares de hectares após enchentes registradas entre 2020 e 2022.



