É ano par e, por isso, há eleições. Não é minha intenção reafirmar polarizações que, há pelo menos dez anos, pautam a paixão do brasileiro. A minha vontade, por outro lado, é demonstrar que o nosso passado ararense é – ou foi – mais certeiro do que o praticamos nos últimos vinte anos.
Foi-se o tempo no qual contávamos com deputados ararenses na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP). Foi-se o tempo em que podíamos recorrer aos gabinetes locais dos doutores Nelson Salomé, Benedito Ferreira de Campos e Tonico Ramos. Foi se o tempo, inclusive, que tínhamos um representante na Câmara dos Deputados, no caso de Xico Graziano.
Ideologia e juízos pessoais a parte, a pergunta que ecoa é: por que não conseguimos mais eleger um representante ararense para representar nossa comunidade?
Vamos nos ater às eleições para Deputado Estadual para responder a essa pergunta.
Nas últimas eleições ao cargo da ALESP (2022), 24 novos Deputados Estaduais foram eleitos com menos de 80 mil votos. O menos votado teve pouco mais de 45 mil votos. Araras possui – segundo os dados de 2024 – um colégio eleitoral superior a 95 mil eleitores.
Então, podemos chegar à conclusão de que colégio eleitoral não falta. Vamos tentar agora analisar o direcionamento desses votos…
Nas mesmas eleições (para Deputado Estadual, em 2022), mais de 12 mil votos ararenses foram direcionados a eleger Deputados Estaduais não ararenses: Carlos Cezar (PL), Danilo Balas (PL), professora Bebel (PT), Eduardo Suplicy (PT), Gilmaci Santos (REPUBLICANOS), Rogério Nogueira (PSDB), Oseias de Madureira (PSD), Major Mecca (PL).
Agora eu te pergunto com sinceridade: quantos cidadãos ararenses tiveram a possibilidade de acessar o gabinete destes Deputados mencionados? Quantos cidadãos ararenses foram atendidos por estes Deputados? Ou ainda: estes Deputados sabem das reais necessidades do povo ararense que eles representam junto ao Estado de São Paulo?
Muitos destes devem ter direcionado – ou ainda vão direcionar – alguma emenda aqui ou ali; outros postaram vídeos – ou ainda vão postar – dizendo que estão atentos à situação da comunidade ararense. Mas estão?
Não é incomum que a classe política de municípios como Araras lancem diversas candidaturas fragmentadas que: de um lado inflam os números do coeficiente eleitoral de seus partidos, e do outro servem de tubo de ensaio para viabilizar uma possível candidatura para a Prefeitura Municipal dois anos depois.
Essa prática inviabiliza, porém, a possibilidade de termos um representante para chamar de nosso.
Enfim: serve de alento o fato de que, nas últimas eleições, pouco mais de 33 mil votos ararenses tenham sido destinados a candidatos ararenses ao cargo de Deputado Estadual – sem nos olvidar dos mais de 12 mil destinados a candidatos ararenses ao cargo de Deputado Federal.
Cabe a nós, interessados com o futuro da cidade, compreendermos que somente a candidatura ararense mais viável é a única chance que nos resta de termos um representante que tenha um gabinete definitivo em nossa cidade.
Olhar ao passado não é um exercício de saudosismo, mas sim de cautela para se evitar a reprodução de práticas infrutíferas. O título é simples: 2026 inicia-se com a oportunidade de revisitarmos o passado para direcionar a vida de nossa comunidade. Reflitam.



