06/03/2026
Mauricio Marangoni

Sí, pero no mucho

Esses últimos dias temos ouvido e visto de tudo a respeito da vizinha Venezuela. Algumas verdades, alguns exageros, muitas mentiras. O grande foco divulgado por aí – inclusive na imprensa – é acerca da soberania dos Hermanos ter sido violada. Muito se pregou acerca da violação do direito internacional, dos direitos humanos, etc.

A verdade é que desde o processo da globalização – final dos anos 80 início dos anos 90, o panorama dos estados nação no planeta tem tido uma mutação significativa. Os blocos econômicos passaram a surgir no pós 2ª guerra, onde países buscaram somar forças para um desenvolvimento maior e melhor; paralelo a isso, veio também a influência ideológica dos grupos, cada qual buscando uma linha política.

Claro que nessas minhas palavras, não busco expor o que é certo e o que foi errado nisso tudo que temos acompanhado; vou no meu achismo, no meu ponto de vista. Mas na história da humanidade, o domínio, a força, o poder econômico, sempre foram fatores que influenciaram as relações entre os países. A soberania hoje, parece não ter mais aquele condão que víamos quando estudamos a matéria nos bancos escolares, onde se pregava o poder e independência de um estado ou de um povo de governar sobre seu território sem interferência externa.

A globalização – em que pese ter reiterado a soberania dos estados, ajudou e muito a distorcer este conceito, em especial quando se fala da influencia politica e econômica de um país sobre o outro. Sem entrar na sequência de fatos e atos entre nações ocorridos nesses últimos tempos, em especial no pós II guerra, discussões existem acerca da intervenção de grupo de nações ou uma nação de forma isolada, nos destinos de outro estado nação. Não podemos nos esquecer do Vietnã, da Coréia, de países africanos, caribenhos e outros mundo afora. A matéria se mostra controversa e polêmica, e faz criar teorias das mais variadas formas.

Quando vemos a intervenção havida contra o ditador Maduro, claro que sua captura se deu graças a informações vindas de dentro de seu próprio governo! Não teria sido tão simples e rápido pegar um tirano em tão poucos minutos, com tão poucas baixas. Claro também, que o descontentamento contra o regime ditatorial de quase trinta anos, facilitou tudo isso. Ah, mas e o petróleo? O petróleo também é um dos motivos da intervenção, somado à acusação da ligação do governo de Maduro com o narcotráfico e outras acusações.

De uma forma muito particular, vejo tudo isso sob outra ótica: Trump não tem pernas para interferir contundentemente contra dois outros ditadores, Putin e Xi. Além da questão logística – Ucrânia e Taiwan estão bem distantes dos Estados Unidos (em que pese a proliferação de bases militares americanas mundo afora); e ainda que fosse louco para intervir naquele lugar, por certo se envolveria (e envolveria o planeta todo), num conflito mundial imprevisível. Penso que o desenho que se amolda aos últimos fatos internacionais, é o surgimento de grupos com poder econômico e militar, dominando territórios sob seu fácil domínio: os Estados Unidos se contentando em abocanhar a América como um todo; a Rússia dominaria a Europa central, com anexação da Ucrânia, e a China o oriente.

Talvez seja simplista o que penso, um achismo. Mas enxergando esses conflitos regionais que acabam por nos convergir para o ato de Trump contra a Venezuela, por certo há mais do que o petróleo em jogo, isso é verdade. Há um interesse de polarização regional, da América toda, sob o controle de Trump. E sob o discurso do combate a tirania, a esquerda e o narcotráfico é que esse projeto vem evoluindo.

Minha particular preocupação é com o povo venezuelano; nesses últimos anos, o país perdeu mais de 20% da sua população, que fugiu de perseguições. Isso sem falar na expropriação e confisco de propriedades, empresas e dinheiro do povo, além dos assassinatos, prisões arbitrárias, perseguições políticas e censura. Isso efetivamente não pode ser tratado como normal, e não pode ser desconsiderado frente ao ato, também não de todo correto, de captura do tal presidente. A intervenção de outro país não é interessante a ninguém, e não pode ser comemorado; mesmo porque por certo, nós brasileiros, não gostaríamos se ser invadidos por quem quer que fosse…

Importante, antes de criticarmos o lado de cá ou de lá, é ouvir o povo que foi perseguido e oprimido – ao que parece, a eles foi uma libertação a prisão do seu líder. Mas haverá a esperada liberdade para que possam compor um novo governo, ou continuarão sob a opressão de milícias e doutrinas tiranas?

Enfim, Trump agiu de forma correta ? Sí, pero no mucho. Mas de tudo o que temos visto, reitero e torço pela liberdade e pela democracia, sempre. Que tenham os venezuelanos firmeza em reestruturar seu país com liberdade e democracia.

Aguardemos.

Rádio Clube • 101,7 FM 🔴 AO VIVO
RCA1
Visão geral da privacidade

Este site utiliza cookies para que possamos oferecer a melhor experiência de usuário possível. As informações dos cookies são armazenadas no seu navegador e desempenham funções como reconhecê-lo quando você retorna ao nosso site e ajudar nossa equipe a entender quais seções do site você considera mais interessantes e úteis.