A Nestlé anunciou nesta terça-feira (6) o recall de alguns lotes de produtos de nutrição infantil, incluindo as fórmulas SMA, BEBA e NAN, devido à possível contaminação por uma toxina capaz de causar náuseas e vômitos. A medida afeta principalmente países da Europa, mas também atinge mercados da Ásia e das Américas. O Brasil não consta da lista de países divulgada pela empresa.
Segundo a multinacional suíça, o recolhimento envolve lotes comercializados em mais de 30 países após a identificação de risco de contaminação por cereulida, uma toxina produzida por determinadas cepas da bactéria Bacillus cereus. Entre os países afetados estão Áustria, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Espanha, Suíça, Portugal, além de Argentina, México e Peru.
De acordo com a Agência de Padrões Alimentares do Reino Unido (FSA), a toxina não é eliminada durante o preparo do produto. “É improvável que a cereulida seja desativada ou destruída pelo cozimento, pelo uso de água fervente ou durante o processo de fabricação do leite infantil”, informou o órgão.
A chefe de incidentes da FSA, Jane Rawling, alertou que a substância pode provocar sintomas de intoxicação alimentar de rápida evolução, como vômitos e cólicas estomacais. Apesar disso, a Nestlé afirmou que, até o momento, não há confirmação de casos de doença relacionados aos produtos recolhidos.

O recall havia sido iniciado em escala reduzida em dezembro e agora foi ampliado, aumentando a pressão sobre o novo presidente-executivo da companhia, Philipp Navratil, que busca retomar o crescimento do grupo por meio de uma reavaliação do portfólio.
Segundo a empresa, o problema foi identificado após a detecção de uma falha de qualidade em um ingrediente fornecido por um parceiro. A Nestlé informou que realizou testes em todos os óleos de ácido araquidônico e nas misturas utilizadas na produção dos produtos potencialmente afetados. Com a conclusão das análises, os itens foram recolhidos e a empresa passou a acionar fornecedores alternativos, além de ampliar a produção em fábricas não afetadas para garantir o abastecimento.
Na Áustria, o Ministério da Saúde afirmou que o recall pode envolver mais de 800 produtos fabricados em mais de 10 unidades da Nestlé, classificando a ação como o maior recolhimento já realizado pela empresa. A companhia, no entanto, disse não ser possível confirmar esses números.
A Nestlé informou ainda que divulgou a lista dos lotes que não devem ser consumidos e que trabalha para reduzir os impactos no fornecimento. A empresa identificou inicialmente o risco em uma fábrica na Holanda, mas a autoridade holandesa de segurança alimentar (NVWA) apontou que a matéria-prima contaminada foi utilizada em diferentes unidades de produção, inclusive fora do país.
Casos envolvendo fórmulas infantis têm potencial de gerar impactos significativos para o setor. A Reckitt, por exemplo, avalia alternativas estratégicas para a Mead Johnson, que enfrenta ações judiciais nos Estados Unidos relacionadas a alegações — negadas pela empresa — de que suas fórmulas poderiam causar uma doença intestinal grave em bebês prematuros.
Com quase um quarto do mercado global de nutrição infantil, estimado em US$ 92,2 bilhões, a Nestlé viu suas ações recuarem mais de 3% nas duas últimas sessões. As fórmulas fazem parte da divisão de Nutrição e Ciências da Saúde, responsável por 16,6% das vendas totais do grupo, que somaram 91,4 bilhões de francos suíços em 2024.




