Novamente à baila a questão da moralidade nas ações que envolvem ministros do nosso ade Brasília, onde por sua mesa passaram ao menos quatro senadores da república, em momentos distintos, um a um, que por alguns minutos confabularam algo. Não menos grave, o envolvimento até o pescoço – esse é o meu modesto entendimento – do ministro Alexandre de Moraes, que por suas ações, por certo ´advogou´ administrativamente em favor da esposa no caso do banco Master. A mãe de seus filhos, no mínimo, jamais poderia advogar ou patrocinar interesses que tramitam na ´suprema´ corte, de onde seu marido é um dos juízes.
Olhando sob outra ótica, e com base nas recentes decisões de Moraes frente aos inúmeros casos que caem no seu colo, estejam certos que se tivesse havido a intervenção de quaisquer advogados através de um contrato flagrantemente absurdo de assessoria ao banco Master, por certo, Moraes já teria acionado polícia federal e ministério público federal para devassar a ação dos profissionais contratados, sem prejuízo ainda, de decretar prisão, perda de passaporte e outras medidas que normalmente tem decidido tomar, mesmo que monocraticamente. Mas não. Ao invés disso, o que se vê é um silêncio ensurdecedor, onde não há qualquer atitude por parte dos demais ministros da ´suprema´ corte, que parecem não querer cortar na própria carne uma ação do seu colega, flagrantemente imoral, ilegal e insustentável.
Não se mostra Moraes propenso a admitir que agiu de forma nebulosa em toda essa tramoia que envolve sua esposa, o famigerado contrato milionário de assessoria jurídica, e outras atividades torpes. No mínimo, o que se esperava do ministro frente a ações vergonhosas e imorais, seria o seu pedido de afastamento das funções de juiz desta corte. Sob qualquer ótica que se veja o que envolve toda essa coisa imoral, ilícita e nojenta, temos por certo que dificilmente teremos uma ação firme para conter esses atos violentos – esses sim – contra a república e democracia brasileiras.
O que temos tido de acesso a toda essa bandalheira vem de parte ainda não contaminada da imprensa; isso porque sabidamente temos uma rede de interesses em jogo, que envolve todos os poderes, manipulando e financiando, de acordo com seus jogos, grande parte da imprensa do país. Salvo raríssimos jornalistas que bravamente tem escancarado essa esbórnia, jamais saberíamos – como de fato ainda não sabemos inteiramente o que se joga e como se joga nos poderes da nação – o mínimo dessa verdade.
Quando temos comprovado a relação pessoal de um ministro do supremo que se encontra em um restaurante, conversando em momentos distintos com senadores, e simultaneamente um escândalo envolvendo outro ministro, sua esposa e advocacia administrativa envolvendo um banco que está envolvido em outros escândalos financeiros, se não houver atitudes firmes, estamos fadados mesmo ao verdadeiro golpe de estado, aliás, em andamento.
Quem julgará esses envolvidos? Que conduta tomará nosso Senado – se é que também não está atolado até o pescoço em troca de favores com outros agentes do judiciário – frente a tanto escândalo?
Fachin está corretíssimo: temos que discutir e impor imediatamente um código de conduta a juízes, em especial das cortes superiores. Tem que haver uma cartilha rígida de conduta a ser seguida, para que se evite questionamento da moralidade e parcialidade do judiciário. Uns pensam ser Deus, acima de tudo e de todos.
Outros envolvem suas esposas – vide Moraes e Toffoli. Outros ainda, além de tricotar na cara dura com políticos, também vive nos bastidores de grandes investimentos e projetos ´educacionais´ que só emergem, por tráfico de influência – Mendes.
Enfim, não chegamos ainda ao fim do poço. Até gostaria que chegássemos, desde que resolvidos em todos os poderes todo esse mal que nos assola, de imoralidade, tráfico de influência e corrupção. Do jeito que está, só vamos piorar… ainda mais.



