De novo, o INSS volta à cena, envolto em crime, golpe e uso politiqueiro do órgão. Já não bastasse os escândalos recentes, a prisão de ex-diretores do instituto rasga uma cortina que mantinha o sinistro modus operandi de gestão: corrupção e ladroagem. Não há termo mais leve sobre o que tem sido visto. Ou até há, mas prefiro poupar os leitores.
Vivemos efetivamente tempos sombrios. Brasileiros que dedicam uma vida ao trabalho, são jogados numa vala de golpes e corrupção. Esta semana, li num grupo de comunicação entre advogados, um sem fim de tentativas de golpes que se aplica aos cidadãos e bem, aposentados, outros não, a maioria deles pouco letrados, que enganados e ludibriados caem em golpes sujos de débitos indevidos, pagamentos descabidos, uso de dados pessoais para contratos de crédito consignado e outros. Aliás, a bandidagem brasileira é rica e inteligente em artifícios para a prática de atos ilegais, criminosos e imorais; mas para trabalhar, não têm a mesma habilidade (ou não querem aplica-la para o trabalho digno). Como dizia Maxwell Smart, se usassem a inteligência para o bem… Uma pena.
Paralelo a isso, li também acerca de captadores de clientes que se postam defronte unidades do INSS. A reportagem que li foi feita no Rio de Janeiro, já bastante famosa por outras atividades criminosas. Mas ouso dizer que o que a reportagem mostrou acontecendo lá, por certo acontece debaixo de nosso nariz, em qualquer agência ou posto do INSS. Pessoas se escrúpulos ‘vendendo’ solução para aqueles sofridos contribuintes previdenciários que buscam revisão, perícias, benefícios, enfim, seus direitos, por mais parcos que sejam.
Bandidos bem vestidos, que dizem representar advogados (ou adevogados), que nada mais são do que criminosos que usam da boa-fé do sofrido segurado para enganá-los, prometendo ganhos ou agilidade em processos sabidamente morosos de concessão de benefícios, auxílios e outros. Já escrevi há pouco tempo sobre isso.
As pessoas idôneas, o cidadão de bem, devem escolher e confiar no seu advogado, aquele operador do Direito que está estabelecido, que tem idoneidade, que está estabelecido. Infelizmente vemos diuturnamente os mal intencionados que se infiltram até mesmo em igrejas, usurpando até a fé da pessoa de bem, com promessa de ganhos e benefícios que sabemos não ter mágica para agilizar ou fazer conquistar.
Uns dizem que nossa previdência social explode dia desses, que os novos contribuintes não conseguirão se aposentar, e outras teses. Mas o mais chocante nisso tudo é a forma que se trata o instituto que deveria garantir a aposentadoria e a velhice dos brasileiros que se dedicaram ao trabalho honesto, o uso criminoso desse dinheiro e o mal que fazem as pessoas de bem, sendo que o preço de todo esse prejuízo acaba por cair sobre nós, os pagadores de impostos, enquanto esses aí presos, indiciados e envolvidos nas falcatruas, pelos envolvimentos com graúdos que tem (muitos deles políticos), por certo dificilmente terão seu patrimônio comprometido. Essa conta vai sobrar para nós.
Mas num país onde os percentuais de aumento dos auxílios aos que não trabalham muitas vezes é superior aos benefícios dos aposentados, seria difícil esperar coisa melhor do que a conta que nos sobra para pagar… Uma pena.



