O que é referência para você? Ou melhor, quem é referência para você ?
Desde nossa tenra idade, via de regra, são nossos pais. Ou aqueles mais próximos que nos ensinam, guiam, orientam, educam. Ao menos, sob meu ponto de vista foi assim. E minha vida foi trilhada por exemplos e referências.
O orgulho da história de um pai, de uma mãe, às vezes de um dos avós (em que pese lamentavelmente não ter convivido muito tempo com eles – minhas duas avós faleceram quando eu era pequeno e meus avôs sequer os conheci), por certo é sempre um farol, um norte, uma referência. Até mesmo colegas e amigos da infância, que passaram por situações de vida diferentes das nossas, uns às vezes com dificuldades, outros nem tanto, mas que se superaram, enfim, que evoluíram na sua condição humana e social, nos dá alento a sempre buscar nosso melhor.
Nos últimos tempos, tenho me assustado com noticiários na grande imprensa que estampam notícias sobre prisões de ‘influencers’ vinculados a tráfico, jogos ilícitos, sexo desregrado, e outras nocividades. E pasme: milhões de seguidores, em sua maciça maioria, jovens e crianças. Fico pensando no que será desse mundo se esses milhões de ‘seguidores’ realmente se espelham e se norteiam em pessoas ‘influenciadoras’ como se mostram esses nefastos vistos nas colunas policiais do nosso dia-a-dia.
Já começa com uma titulação em inglês (influencer), o que demonstra uma submissão desnecessária e tola à língua inglesa, num total desprezo a língua pátria. De outro lado, se na realidade fosse mesmo um ‘influenciador’, essa forma que se apresentam, ostentando bens materiais, sexualizando imagens de jovens, fomentando uso de drogas e jogos de forma desregrada, que exemplo tem dado para o seu público? Ou então, o que se deixou de ofertar a essa juventude, que a fez preferir o culto à ficção da imagem ilusória de riqueza, luxo, sexo e drogas, em substituição àqueles exemplos efetivos de evolução e crescimento pessoal? Caíram numa tentação de promessa falsa e exemplo e viram caminho para seguir? Nos bens materiais que expõem? Nos corpos sarados que apresentam? No dinheiro que ostentam? Enfim, esse tipo de influenciador é quem ‘influencia’ de fato o futuro de alguém?
Talvez me mostre um pouco antiquado quanto ao meu pensamento e ideia sobre a quem se deixar influenciar. Mas não vejo mais qualquer público desejoso de estudar a língua portuguesa, de ler um bom livro, de discutir ideias literárias, de estudar e progredir, de se reunir com amigos de forma leve, buscando sua evolução de forma saudável e realista. Vejo uma parte significativa de jovens brasileiros embriagados por referências que nada somam a sua evolução. E aí também me questiono, qual o papel (se é que houve) dos pais desses jovens que adotam ídolos fictícios, falseadores da realidade? São coniventes, ou omissos? Noto que essa ausência da família, essa ausência de referências de verdade, tem se mostrado sinônimo de perda da capacidade de encaminhamento dos filhos ao mundo real que vivemos. Será que faltou diálogo, compreensão, discussão saudável em casa sobre ideias e opiniões? Ou os tais ‘influenciadores’ que hoje vemos, efetivamente mudaram a conduta e sua postura de grande parte de nossos jovens?
E pior, puxam consigo um oceano de gente que perdeu a sensibilidade de que o crescimento pessoal e a evolução, tem que necessariamente se pautar pelos exemplos de estudo, coragem, trabalho, e outras qualidades mais que somente nós temos a condição de pinçar na nossa breve passagem por aqui, para aplicar no nosso aprimoramento de vida. Me assusta pensar o que será de nossa sociedade – e aqui falo de Brasil – em uma ou duas décadas. Como estarão esses adultos (hoje adolescentes e jovens) que se pautam em influenciadores que levam o nada ao lugar algum.
Aguardemos.fazer



