Essa semana eu fui surpreendido – ou não – com a notícia que comparava a arrecadação do mercado editorial literário com a das casas de apostas on-line. Em linhas gerais: o brasileiro gastou, até setembro, 2 bilhões de reais com livros, enquanto, no mesmo período, havia gastado quase 80 bilhões com casas de apostas.
Poderia passar a coluna toda falando sobre os sintomas de um país que não lê ou, de forma mais estimulante, incentivar o hábito da leitura pelos jovens. Vou, por outro lado, fazê-los pensar sobre as casas de aposta em si.
Na semana retrasada, houve movimentação no Congresso em torno da Medida Provisória (MP 1303/2025) que tratava do aumento da arrecadação federal por meio da taxação de casas de apostas, aplicações financeiras e outros ativos. Mas, ao final, o texto foi retirado de pauta e acabou perdendo sua validade.
A MP originalmente buscava elevar a alíquota sobre o lucro das casas esportivas (bets) de 12% para 18%, com a destinação obrigatória de 6% à saúde pública. Após pressão política e divergências dentro da Câmara dos Deputados, o Relator acabou por remover o aumento de taxação das bets, ainda antes da votação.
Os interesses dos donos da casa de apostas são rapidamente atendidos por quase todos os parlamentares – de situação ou de oposição ao governo. Enquanto isso, as necessidades de diversos setores da sociedade civil – como dos servidores públicos das redes de ensino, ou de usuários do sistema público de saúde – dificilmente conseguem ser pautadas e discutidas no Congresso.
Enfim. Diante de tantas investigações policiais que indicam a ligação das casas de apostas com suposta lavagem de dinheiro do crime organizado, pergunto: os parlamentares legislam a favor daquelas ou desse?



